Acesso à educação
Os dados do Censo 2010 divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) evidenciam um problema até então velado no Paraná: a falta do acesso à educação. Conforme os dados, mais de 4,3 milhões de pessoas com 10 ou mais anos de idade não frequentam a escola ou ainda não concluíram o ensino fundamental. Os números representam quase a metade do universo total, constituído por mais de 8,9 milhões de pessoas com essa faixa etária. Entre os números distribuídos entre o ensino médio e o superior, o que chama a atenção é que apenas 869.935 completam o curso de graduação universitária.
Apesar de o Paraná ser considerado desenvolvido comparativamente com outros Estados, a falta de acesso à educação é um problema básico e crônico que persiste há décadas. Reportagem publicada nesta FOLHA há dez dias revelou que 40% das crianças de até 5 anos de idade não frequentam a educação infantil. Como poderemos construir um Estado melhor, amparado em valores como ética e cidadania, se as crianças não conseguem ter um direito constitucional garantido? O caminho é longo e há muito a se fazer, mas não se pode continuar de braços cruzados. É preciso cobrança e mobilização da sociedade para garantir um item básico: a educação. Também é preciso investir nos professores, com cursos de capacitação e aperfeiçoamento e garantir melhores salários.
Além disso, outro fator a ser considerado é que a falta do acesso à educação gera um verdadeiro ''efeito cascata'' na economia. Sem formação educacional, o trabalhador não terá qualificação e, consequentemente, o seu rendimento será bem menor. Os números comprovam isso. Segundo o IBGE, a renda média per capita entre os paranaenses é de R$ 1.256,56. Sem emprego ou com baixo salário a dependência pelos programas de distribuição de renda continuará. É queixa do mercado, a falta de profissionais qualificados. Por isso, seria muito importante se fossem direcionados investimentos em programas de educação e de qualificação dos trabalhadores.





