Acerte na escolha
Nessa legislatura que está terminando no Congresso Nacional, os escândalos foram muitos e surpreendentes. Houve de tudo, farra com passagens aéreas; castelo escondido nos cantões de Minas; nepotismo direto, indireto, trocado; tráfico de influência sem-fim. Isso é claro, sem falar da velha e ''boa'' corrupção.
As irregularidades foram tantas que, de certa forma, chegaram a anestesiar muita gente. Quem aguenta tantas notícias sobre irregularidades cujos protagonistas são pessoas que deveriam zelar pelo cumprimento da lei?
Só que neste ano o eleitor reconquista um poder que não costuma dar muito valor: o voto. É hora de dar uma sacudida, sair do ponto letárgico e fazer análise criteriosa dos candidatos. É um momento único.
Levantamento publicado esta semana pelo jornal Folha de S.Paulo indica que 83% dos deputados e senadores envolvidos em algum tipo de escândalo no ano passado tentarão voltar à vida pública nas eleições de outubro ou, pior, permanecerão nos seus cargos por mais alguns anos.
Mas o número pode crescer ainda mais, já que muitos não responderam aos pedidos de entrevista da reportagem ou disseram ainda não ter decidido se concorrerão.
Enquanto isso, o projeto de iniciativa popular, assinado por 1,5 milhão de pessoas, que proíbe a candidatura de quem tem problemas com a Justiça, conhecido como Ficha Limpa, continua sendo ignorado por suas excelências. Falta acordo entre os líderes partidários para colocar a matéria na pauta de votações.
Para fechar ainda mais o cerco contra os maus políticos, organizações não governamentais (ONGs) especializadas na fiscalização de políticos e administradores públicos estão se preparando para promover um ''acompanhamento crítico''.
Entre as metas das entidades fiscalizadoras, em termos de política federal, é renovar pelo menos 60% do congresso nas eleições deste ano. Para isso, vão utilizar a internet para fazer uma campanha massiva, oferecendo inclusive dados sobre a vida pregressa dos políticos.
Nem todo o esforço dessas organizações, entretanto, pode substituir o papel essencial do eleitor. Já reparou o quanto alguns políticos apostam no esquecimento para continuar cometendo atos que vão contra o interesse coletivo? É hora do eleitor assumir a ''vassoura'' e promover uma limpeza.





