Se nem tudo o que é bom para os Estados Unidos é bom para o mundo, tudo o que acontece na poderosa nação do Norte interessa à humanidade inteira e tem reflexos sobre os governantes de todos os povos. Por isso, a vitória dos democratas é um momento de regozijo não só para os estadunidenses. No caso das relações comerciais com o Brasil, analistas avaliam que com os republicanos tem sido fácil negociar, porque os democratas são mais protecionistas dos mercados internos e isto exigirá novo exercício de negociação da diplomacia brasileira. Depois de 12 anos de domínio republicano - tendo George Bush na presidência - os bons ares democratas sopram novamente e o mundo respira um pouco mais aliviado. Porque muitas coisas, com certeza, irão mudar para melhor nesse influente ponto de decisões e terão consequências em todas as nações. De imediato, os dois anos restantes do presidente Bush terão menos ímpeto intervencionista e poderão ser até de afrouxamento do terrorismo contra os norte-americanos. A partir do que agora ocorre, são fortes os indicativos de uma vitória igualmente democrata na próxima eleição presidencial. O partido que tem o símbolo do burro venceu o simbolizado pelo elefante, e nesse jogo dos bichos o resultado das eleições deixa o mundo mais sorridente. Os adversários da ideologia Bush agora têm mais cadeiras na Câmara dos Representantes e no Senado e fizeram a maioria esmagadora dos governadores (28 dos 36). Na soma dos governadores pode-se contar mais um, porque a vitória do republicano Arnold Schwarznegger, na Califórnia, ocorre porque ele recuperou popularidade ao afastar-se de Bush, e certamente continuará não sendo muito solidário a ele. Conhecido o veredicto das urnas, o presidente cuidou de baixar a guarda e declarar que deseja estabelecer uma cooperação com a oposição. Uma oportunista estratégia, porque se os republicanos houvessem vencido ele não estaria, nesta hora, fazendo agrados aos opositores. Esta é uma postura sempre adotada pelos governantes de todo o Planeta ao perderem força política. Quando poderosos, eles oprimem; quando perdedores, se curvam. O interessante é que os republicanos, pela voz das urnas - e nos EUA o voto não é obrigatório - perderam em todas as regiões do país, onde existem bolsões de conservadores, de liberais e de moderados, e cidadãos urbanos, suburbanos e rurais. As políticas de George Bush - especialmente a intervenção americana no Iraque - foram as grandes derrotadas. Antevê-se para os próximos dois anos e para o futuro próximo, pós Bush, momentos de mais paz para a nação americana e de mais paz para a humanidade.

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