Conviver com a comunidade que você escolheu, em um lugar em que você possa se sentir feliz. Para proporcionar que o objetivo seja atingido, o projeto Rede de Desenvolvimento Local procura mobilizar todo o Paraná para realizar sonhos em busca de uma vida melhor para a população. Os números são promissores. Desde 2008, o programa da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e do Serviço Social da Indústria (Sesi) contabiliza 3 milhões de participantes. Em Londrina, o trabalho está presente em sete bairros.
O programa visa dar sustentabilidade às redes de desenvolvimento local, formando agentes que interajam na comunidade em que vivem e atuem como protagonistas do desenvolvimento. Na semana passada, o professor e analista político Augusto de Franco coordenou em Londrina um Programa de Aprendizagem de Agentes Voluntários. ''Nosso objetivo é atrair cidadãos interessados em incentivar o surgimento de redes locais, as quais visam mobilizar as comunidades para pensar, planejar e executar ações que possam acelerar o processo de desenvolvimento das localidades'', explica.
Qual é a importância das redes sociais e como fortalecê-las?
A importância é total, pois você faz qualquer coisa de acordo com as pessoas que estão conectadas a você, não individualmente. Isso também serve para o desenvolvimento. Temos a impressão de que somos indivíduos, mas, na verdade, somos seres sociais ligados uns aos outros. Essa rede é o grande ator do desenvolvimento comunitário.
Nosso objetivo é induzir pessoas a formar voluntariamente redes para melhorar o ambiente, onde elas vivem, para que a vida delas melhore. Mas a partir da convivência social, não individualmente, pois quando o local melhora, as pessoas começam a inovar.
O senhor afirma que se não fosse a cooperação entre as pessoas, a humanidade já teria sido extinta. Como o o senhor explica essa afirmação em tempos em que o individualismo prevalece nos mais diferentes setores sociais?
O individualismo parece que prevalece, mas não prevalece. Basta você fazer um exame do que acontece num dia da sua vida, você vai ver que grande parte das coisas que você fez, não foram coisas de interesse próprio, para levar algum tipo de vantagem, você fez porque você quis, sem ganhar nada em troca. Se não fosse a cooperação não existiria a sociedade humana. É natural de nossa espécie compartilhar. A linguagem é a típica cooperação, você fala e a outra ouve, é uma dança colaborativa. Quando colaboramos com as outras pessoas, passamos a fazer parte de um organismo coletivo.
Qual é a importância da responsabilidade social para as empresas?
Há três concepções de responsabilidade social. A primeira é que a empresa deve devolver para sociedade os lucros que ela teve. Depois as empresas compreenderam que deveriam ter atitudes social, economica e ambientalmente sustentáveis. E agora descobriram que seus negócios devem ser sociais. Se você fabrica qualquer coisa ou presta um serviço, isso tem uma utilização para sociedade, tem que estar ligado ao metabolismo daquela rede social que está interessada no funcionamento da empresa.
Empresas ainda usam esse conceito apenas como marketing, sem colocá-las de fato em prática?
Grande parte das empresas estão achando que responsabilidade é uma bandeira que elas vão levantar para não ficar mal, porque a concorrência está usando ou outra empresa está dizendo que fez isso ou aquilo. Mas vai muito além disso. A responsabilidade social da empresa é ela pensar em como vai se reinventar para ser alguma coisa dessa rede, onde ela está envolvida.

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