Londrina não pode continuar ostentando o desonroso título de cidade com o maior registro de irregularidades no comércio de combustíveis no Paraná. E não apenas pela imagem mas principalmente pelo prejuízo que isto causa aos usuários, pela danificação de seus veículos. Porque gasolina, óleo diesel e álcool deteriorados causam corrosão precoce de peças e componentes eletrônicos. Este é um banditismo que precisa ser enfrentado com mais vigor pelas autoridades, e sem complacência.
Se não são todos os postos que lesam o consumidor, os que o fazem geram grandes danos, tornando-se difícil à clientela saber quem está sendo desonesto. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná, Roberto Fregonese, afirma que dos 116 postos existentes em Londrina 30% cometem crimes de adulteração, cartelismo e formação de quadrilha. Ele quer iniciar campanha para denunciar os maus empresários, e certamente enfrentará dificuldades, porque muitos deles já foram denunciados e presos, mas as fraudes continuam. O sindicato não tem poder de polícia, por isso o endurecimento tem de ser das autoridades competentes.
A ajuda do consumidor pode contribuir, em forma de denúncia ao sindicato, à polícia, ao Procon, ao Ministério Público e à Agência Nacional de Petróleo, mediante a apresentação de notas e da comprovação de que (no caso da deterioração) houve dano ao veículo. Os sintomas são falhas constantes, consumo excessivo e sinais visíveis de desgaste de peças. Porque a gasolina tem mistura de solventes, excesso de álcool anidro e quantidade inferior à marcada na bomba (este um roubo explícito). Mas como o consumidor irá medir isso? Esta é tarefa dos técnicos da fiscalização. O óleo diesel tem mistura de oleoginosas (soja, mamona, girassol) acima do permitido, mistura com óleo queimado e outras irregularidades. E o álcool tem excesso de água. O veículo automotor é um bem de elevado valor e pode ser danificado seriamente por isso, em sua parte vital, que é o motor.
Tudo isto exige mais do que prisão dos acusados mas a obrigação de ressarcirem danos, o afastamento deles da atividade e a intervenção no estabelecimento. Não é de agora que existe o crime da deterioração de combustível. A fiscalização não pode afrouxar no rigor do combate, ou o mal irá persistir. Campanha de esclarecimento e orientação ao consumidor é importante, mas para medir o grau de pureza do combustível só o instrumental técnico. Só por esse processo será possível frear essa bandidagem.

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