Ação de todos para conter delinqüência
São muitos os caminhos para conter a delinqüência, sobretudo a praticada por adolescentes, mas é providencial que a sociedade também se precavenha, como estão fazendo os moradores da Vila Yara, em Londrina, assunto de reportagem de ontem neste jornal. Ao invés de revidar com armas, eles começam a erguer muros, instalar alarmes, cercas protetoras, e utilizando-se do recurso de protestar como alerta às autoridades e ao próprio meio. Óbvio que não está apenas nesse tipo de comportamento a solução, porque é na condição econômica que reside grande parte dos atentados contra o patrimônio alheio. Fome e necessidade são más conselheiras e induzem as pessoas nessas condições a atos ilícitos, mesmo com risco de prisão ou morte, porém todas as cautelas no sentido de não favorecer a facilitação da delinqüência são necessárias. Os cidadãos precisam cooperar com os organismos de segurança, que com todas as suas falhas prestam grande serviço na contenção da criminalidade, porque sua presença inibe a ação dos ladrões e assaltantes e diminui a intensidade da delinqüência. Sem dúvida que, sem a ronda policial e seus arrastões e abordagens, a criminalidade seria maior. A par da preocupação que deve existir, de parte dos governantes e da sociedade na busca de solução para o problema do desemprego e da pobreza, a educação e a orientação religiosa são fundamentais para esses jovens. A reportagem revela que o trabalho de voluntários, nesse campo, tem livrado jovens do vício das drogas outra das razões da necessidade de roubar e fazer dinheiro para alimentar a dependência. Esses obreiros individuais ou pertencentes a instituições religiosas têm prestado relevante serviço, e uma vez despertada a conscientização desses jovens o caminho torna-se mais fácil para a sua inclusão social. Não é uma tarefa simples, pela barreira da insuficiência de empregos, pela falta de habilitação deles e pela natural resistência que oferecem, mas é preciso que a denominada parte sã da sociedade intensifique a sua ajuda. A solução não está apenas na repressão pela força do policiamento, nem na construção de mais presídios ou de fórmulas extremas, como desejam alguns, mas principalmente na boa vontade e na cooperação. Não há quem não possa dar sua contribuição, cada qual segundo suas aptidões, e quem imagina que não tem nenhuma, para ajudar na causa, pode no mímino dar algum apoio financeiro a instituições que se dedicam à guarda e à recuperação de adolescentes infratores, a órfãos e outros desassistidos. O que não pode haver é a indiferença, porque a existência dessas mazelas afeta a todos e é de responsabilidade de todos. Os cidadãos pagam seus impostos e têm direito às garantias de segurança, mas o problema social, no Brasil, extrapola os limites razoáveis e por isso reclama mobilidade e esforço adicional de cada um.





