Adolescentes têm passe livre em motéis - diz a manchete deste jornal, em mais uma reportagem investigativa. Recepção não pede identificação e permite a entrada de menores. A reportagem fez o teste em vários, inclusive no da na Zona Norte, onde apenas três dias antes, uma adolescente morreu, supostamemte por overdose de cocaína.

Não mais que 15 anos atrás, quando a bandidagem ainda não havia descido os morros cariocas para ''interiorizar'' seu terror, este jornal alertava. O governo do Estado precisava agir rápido para não interromper o sossego das pequenas cidades. Era preciso uma posição preventiva para, mais tarde, não ser repressiva e desgastante. Apesar da evidência de que a ameaça era iminente, nem o péssimo governo Lerner, tampouco o governo que termina mediocremente, enfim nenhum deles agiu com eficácia. Hoje estamos nessa: nem prevenção, nem repressão. Nem a fiscalização de rotina, pelo jeito. A cidade convive com assassinatos quase todo mês e a causa é a violência não estancada.

O Brasil, hoje, tem no tráfico carioca um poder paralelo. A ausência de políticas públicas e de investimentos sociais, abriu espaço. Governo omisso, tráfico atuante. O governo não deu boa escola pública e o mercantilismo prosperou na educação. Não deu boa saúde, e os planos de saúde são alternativa para quem não quer depender das filas, onde morre-se por falta de atendimento.

Um misto de populismo e impunidade ameaça o futuro da juventude sem perspectiva. Está acontecendo no Brasil de hoje uma derivação para o populismo total e irrestrito. Como disse um leitor, dias atrás: Nos escalões dos três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, tudo se resume em passar a mão na cabeça. Os que se queixam desse desmando são rotulados de ''conservadores''.

É exagero associar isto a desmandos governamentais?. A corrupção que corre solto no planalto central do Brasil pode não contaminar o sistema; seria injusto e leviano afirmar isto. Mas a improdutividade do serviço público e a omissão, estas, com certeza, decorrem da falta de cobrança e dos péssimos exemplos que vêm de Brasília.

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