Abusos do milionário mercado do esporte
De um lado, programas de incentivo ao esporte e equipes pequenas passando por contínuas dificuldades financeiras e, de outro, contratos milionários e salários astronômicos de atletas. É um contraste gritante e tal situação gera a imaginária visão das maravilhas entre os que vão se revelando em certas modalidades mais difundidas e imaginam ingressar em grandes equipes e se tornarem famosos e ricos. Futebol, tênis, automobilismo, basquete, beisebol e futebol americano são os esportes (ou negócios esportivos) mundiais mais rentáveis para quem excede os padrões comuns de habilidade e consegue alcançar a fama.
Pelé, o Rei do Futebol, tem entre suas marcas inigualáveis e ''sui generis'' a de nunca haver sido comercializado e nunca pertencer a outro time brasileiro fora o Santos, ressalvados os tempos de menino quando jogava no Bauru Atlético Clube e mais tarde quando foi (por contrato e não por venda) jogar no Cosmos de Nova York.
É ele que agora está fazendo um lobby para que a Fifa estabeleça um teto no preço dos jogadores de futebol para evitar os abusos do mercado. Isto ocorre também com o salário exagerado de certos técnicos que contribui para encarecer o custo dos clubes maiores e refletem na sua administração financeira, gerando grandes endividamentos, entre os quais encargos tributários, porque na extremidade da linha isto recai sobre o bolso do povo. Mesmo um patrocinador irá recolher no consumo de seus produtos o custo disso, e a conta final sai da economia popular.
Pelé ficou famoso pelos gols que fez e ganhou dinheiro jogando bola e com negócios paralelos, mas é agora uma voz forte para articular esse lobby. Ele fala com propriedade ao dizer que isso ''pode prejudicar'' a imagem do futebol, embora sob esse aspecto tal já ocorra.
De passagem, pode-se mencionar também absurdos como o elevado preço de um show de destacados artistas, o que é sempre extraído das economias de quem paga. Uma coisa é o preço de mercado de qualquer serviço ou mercadoria e outro é o abuso, que enriquece alguns poucos e suga milhares de outros.
No caso do limite defendido por Pelé, ele foi sugestionado por medida idêntica tomada pela liga nacional do basquete dos Estados Unidos. Lá o teto das cotações continua alto, mas diminuiu bastante. Já era tempo de alguém da estatura de Pelé levantar essa questão. Se há tanto dinheiro para pagar essas fortunas a jogadores e técnicos, então é dessa fonte (no caso brasileiro) que se poderá pensar em tirar recursos para incentivar as modalidades menores e patrocinar promissores atletas que subsistem de minguadas ajudas para poder treinar e competir.
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