É arbitrário, abusivo e provocador o que fazem os políticos com o povo, como mais esta dos deputados federais de aumentar de R$ 35.350 para R$ 45.000 a verba individual de gabinete, para ser gasta com mais assessores. Hoje esses auxiliares – no geral apaniguados e que pouco assessoram – são 20 para cada parlamentar, número que eles querem elevar para 25. O projeto já está pronto e na mesa da Câmara. Logo que os deputados assumirem, em fevereiro, esta proposta de nenhuma utilidade pública será colocada em votação e, sem dúvida, aprovada. O que é de interesse deles próprios tem curso rápido e prioridade absoluta. Esses atos configuram uma forma de ditadura, porque contrariam o que 100% dos cidadãos desejam. Além desse aumento de gastos, já está em vigor, desde o início do ano, um aumento de R$ 12.000 para R$ 15.000 na verba indenizatória a que cada deputado tem ‘‘direito’’ (algo criado pela própria comunidade parlamentar), para custear despesa individual quando o parlamentar está em seu Estado. Esse aumento foi concedido por ato da mesa diretora da Câmara, dia 30 de dezembro. E, afora isto, os salários deverão subir de R$ 12.700 para R$ 21.000, pelo entendimento de seguir o teto do Poder Judiciário. Enfim, tudo ‘‘dentro da lei’’ que o próprio círculo governamental cria. Aprova-se ali mesmo, assina-se, os aumentos e os abusos convertem-se em lei e tudo fica dentro dos conformes. Como no tempo dos Atos Institucionais da ditadura. Se isto não é arbítrio, afronta, falta de decoro, provação, então será preciso criar um nome, e o mais próximo é assalto ao bolso do povo. É também uma forma de compra de voto, portanto corrupção, porque – por exemplo – o candidato à presidência da Câmara, Luiz Greenhalgh (PT-SP), para conquistar votos já disse que, se eleito, irá seguir o critério do Judiciário e estabelecerá os R$ 21.000 de salário. O deputado João Paulo Cunha (PT-SP), presidente atual da Casa e desejando manter-se, foi quem assinou o aumento da verba indenizatória. Severino Cavalcanti (PP-PE), eterno candidato ao cargo, também faz campanha visando a simpatia dos pares, e por isso prega a elevação de tudo o que tem a ver com as as verbas parlamentares. Os deputados mordem em grandes bocados no salário, nas verbas de gabinete, na verba indenizatória, nas contas telefônicas e de correio, no auxílio-família, mais quatro passagens aéreas (ida de volta) de Brasília aos redutos dos parlamentares. Afora o demais, que não sai na tela da TV da Casa. Por essas razões, e não por espírito público, – ressalvadas sempre as exceções, que se contam nos dedos das mãos – é que os candidatos se exasperam por eleger-se e reeleger-se continuamente. Por causa dessas coisas e dos astronômicos esbanjamentos – como o novo avião presidencial de 56 milhões de dólares (aqui citado porque chega exatamente hoje a Brasília), e por causa do excessivo custo da pouco operante máquina pública, é que nunca sobra dinheiro para as obras tanto reclamadas e que contribuiriam para grandes saltos de desenvolvimento.

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