Abuso do cartão, uma afronta ao povo
O sistema do cartão corporativo, que permite aos escalões mais altos do Governo gastar e sacar dinheiro público à vontade e há casos em que não é necessário prestar contas a ninguém é uma das mais abomináveis afrontas e provocações aos cidadãos. Porque se a gastança no círculo governamental é uma constante, no mínimo acontece às escondidas. Já a permissividade do gênero de gastança pública bancada pelo cartão converteu-se em coisa escancarada, com um volume dos gastos incompatível com as necessidades funcionais. Se é desconhecida a origem de certas despesas, como às da Presidência da República, sabe-se dos valores, que extrapolam o aceitável.
Coisa contraditória é o presidente Lula haver criado o Portal da Transparência para argumentar demagogicamente que as coisas são claras em seu governo mas permite esse modelo de licenciosidade, gastos extravagantes generalizados e institucionalizados.
Revolta ouvir quase em coro, de homens do primeiro escalão e inclusive do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general José Felix, que a revelação de gastos feitos com cartão por assessores, funcionários e mesmo familiares do presidente da República, compromete a segurança nacional. Se a questão não fosse tão séria, seria de rir às gargalhadas ao escutar isso. É de perguntar como fica a segurança dos presidentes de repúblicas altamente desenvolvidas, porque todas as despesas com a proteção das suas autoridades são reveladas ao povo.
Gastar é necessário no exercício da gestão pública, mas no Brasil impera a malandragem e um verdadeiro festival de esbanjamento à custa de dinheiro alheio. E não é apenas no Governo federal. Como disse o Prêmio Nobel de Economia, Milton Friedman, quando se gasta o dinheiro dos outros adquire-se sempre a coisa de melhor qualidade, não importando o custo. E ir sacando abusadamente do caixa eletrônico o que não pertence ao dono do cartão como fazem os bandidos que o roubam ou o clonam e como fazem esses abusados agentes públicos é uma verdadeira festa.
E a abertura de uma CPI para investigar o caso do cartão corporativo soa como mais um deboche ao povo, porque nem o mais ingênuo dos brasileiros acredita que algo se apure e que alguém seja punido. Importa agora saber o que Lula fará para acabar com a farra.





