Se a administração municipal em Londrina já andava a passo lento, a greve dos servidores municipais paralisou tudo, afora os serviços essenciais de saúde e educação, que estão funcionando embora já não haja atendimento em alguns postos. O pleito é melhoria salarial de 27% para corrigir perdas dos últimos cinco anos, conforme argumenta o sindicato da categoria. Mas o prefeito Nedson Micheleti diz que não pode dar o aumento solicitado porque irá esbarrar na Lei de Responsabilidade Fiscal e, como diz, a Prefeitura não tem condição financeira para reajustar salários. Está instalado o impasse e é preciso haver prudência de parte a parte. O público está sendo prejudicado pela paralisação, que não tem dia para terminar, e isto é preocupante porque os servidores são pagos pelo dinheiro dos contribuintes justamente para terem o direito aos serviços e ao atendimento sem interrupção. A livre manifestação é permitida por lei, mas uma greve no serviço público compromete a vida da cidade. O sindicato não deve estar atentando para esse fato mas os prejuízos são de toda a comunidade. Se a administração municipal afirma já pagar acima do que a lei estabelece, é preciso verificar onde há desperdício ou gente demais, sobretudo gente de pouca operância, especialmente em funções mais altas. Enxugar o quadro funcional e diminuir gastos é sempre uma providência acertada, porque o poder público é pródigo em excessos. Sabe-se que alguns setores têm sido privilegiados, e isto favoreceu posições de revolta e de endureciemnto no restante dos servidores. A sensatez de parte e parte está à prova neste momento. Argumentos e contra-argumentos ocorrem de ambos os lados, mas se faltam recursos para a reivindicação pedida há que encontrar uma saída inteligente, que não seja a manutenção da greve. Devem ter suas razões os servidores para pleitear aumento, mas há que saber-se se a instituição contratante tem condições de atender. Certo é que uma greve desta natureza não conta com o apoio da população. Cortar volumes de gastos que não sejam nos serviços fundamentais é uma solução heróica em momento como este. De parte dos grevistas, o ideal é que retornem ao trabalho, porque greve em serviço público é sempre inaceitável e atinge direta e indiretamente toda a população. Uma comissão permanente integrada por representantes das duas facções deveria ser instalada para discutir uma fórmula sábia de solução. Decretar uma greve é simples e fácil, mas demonstra ausência de diálogo. Depois que ela se instala, tudo fica mais difícil.

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