Em vez de dar moral, como já o fez sem disfarces, em muitas oportunidades, o governo Lula, deveria retomar o controle do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) antes que o feitiço vire contra o feiticeiro. Ao mesmo tempo, deve implementar medidas que agilizem uma reforma agrária objetiva, moldada em parâmetros técnicos e econômicos, mais produtiva e menos ideológica. Para isso, o ideário do movimento também deve ser revisto, uma missão quase impossível.
  O fato é que o ‘‘abril vermelho’’ - confirmado através das invasões de ontem, pode até seguir em direção convergente com a estratégia eleitoral do governo. Mas chegará o momento em que algumas ações se tornarão um problemão para os gabinetes dos governos atual e futuro. Isso só depende da dimensão das ações do Movimento.
  Em termos de conflitos por terra, a herança de Lula deixa não será nada fácil. Terá contornos ameaçadores. Porque não serão apenas as invasões. Os conflitos por terra, principalmente os relacionados com as comunidades tradicionais, como quilombolas, indígenas e caiçaras, exigirão medidas mais complexas.
  Ontem foi divulgado um relatório da Pastoral da Terra. No ano passado ocorreram 854 conflitos relacionados à terra, um crescimento acentuado comparado aos 751 do ano anterior. Somam-se despejo, expulsão, destruição de bens e ações ‘‘mais leves’’ como ocupações e acampamentos.
  Especificamente em relação à violência no campo, há uma redução no número de assassinatos, de 27 em 2008, para 24 em 2009, mas houve aumento de outras formas de violência como a tortura - de seis casos em 2008 para 71 no ano passado. O número de todos os tipos de conflitos ficou em 1.184 em 2009 contra 1.170 do ano anterior.
  O que chama a atenção nos conflitos de 2009 são as grandes extensões de terras envolvidas: 15.116.590 hectares. Esse número é o maior registrado na série histórica da CPT desde 2000. Em 2008, os conflitos envolviam 6.568.755 hectares.
  O Paraná não está entre os Estados que lideram os conflitos. Os Estados que se destacaram no ano passado pelo número de conflitos, foram o Pará, com 160 e São Paulo, 114 casos. Estranha o grande volume no Estado de São Paulo, mas isso se justifica porque tudo que se fez em São Paulo está mais perto da mídia.

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