Nesta terça-feira de Carnaval em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, a famosa marchinha faz-nos lembrar das muitas mulheres que, como Chiquinha Gonzaga, sem pedir licença, ousaram seguir seu destino, realizar seus sonhos e construir seu próprio caminho.
Essas mulheres transgrediram, subverteram a ordem, romperam barreiras e ocuparam espaços tradicionalmente masculinos. Assim como a ilustre maestrina, que também foi ativista do movimento abolicionista, muitas outras deixaram seus nomes gravados na história, mostrando que a capacidade da mulher extrapola o universo doméstico. Ana Néri, Bertha Lutz, Nísia Floresta, Pagu, Lélia Gonzalez, Carmen da Silva, Anésia Machado e muitas outras que se destacaram no campo da ciência, da cultura e da política, com sua coragem e competência, abriram caminho para tantas outras.
Assim, graças à luta de muitas mulheres, importantes avanços foram conquistados no âmbito dos direitos civis e políticos, fazendo do último século um marco na inclusão das mulheres no espaço público.
Sem dúvida, esse processo foi uma verdadeira revolução, se considerarmos a discriminação histórica contra as mulheres; no entanto, trata-se de um processo em construção que avança lentamente.
O Brasil elegeu pela primeira vez uma mulher para a presidência da República, fato histórico a comemorar, mas, de modo geral, a participação das mulheres nos espaços de poder se mantém baixa, um reflexo dos inúmeros obstáculos que a população feminina ainda enfrenta no campo social e político.
A análise de indicadores econômicos e sociais revela a dimensão da desigualdade de gênero que tem raízes históricas e condicionantes culturais. A distribuição desigual do trabalho doméstico cujo peso recai sobre as mulheres, os baixos rendimentos, a maternidade compulsória, a violência doméstica e institucional são situações que permeiam a realidade de vida de grande parte da população feminina, impondo limites concretos à autonomia das mulheres.
Diante desse quadro, a III Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, que acontecerá em dezembro deste ano, terá como tema o combate à miséria e à pobreza combinada com a promoção da autonomia econômica, política e social das mulheres. Este será um importante momento de avaliação e proposição de ações concretas voltadas à mudança da qualidade de vida das mulheres brasileiras.
Faz-se necessário, portanto, uma ampla mobilização da sociedade, para que as demandas das mulheres, em toda a sua diversidade, possam ser pautadas e para que juntas avancemos em nosso projeto de valorização e respeito às mulheres.
Neste ano em que a Secretaria Municipal da Mulher celebra o Dia 8 de Março com o tema ''Mulheres de Todos os Jeitos: juntas fazemos a diferença'', convidamos todas as mulheres e homens de nossa cidade a participarem da 19 Semana Municipal da Mulher. A igualdade de oportunidades e a ampliação da participação das mulheres na esfera pública representam nossa grande meta.

SUELI GALHARDI é secretária Municipal da Mulher de Londrina

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