O aborto ainda é considerado um tabu pelos brasileiros. País de maioria católica, mas com o número de evangélicos em franco crescimento, o assunto sequer é discutido pela sociedade. No entanto, além das questões morais, religiosas e até éticas, é importante que todos sejam esclarecidos sobre a questão legal do aborto. Gestação indesejada provocada pela violência sexual, casos em que a gravidez coloca em risco a vida da mulher e quando o feto apresenta anencefalia são passíveis de aborto. A decisão – de levar ou não a gestação adiante – deve ser da mulher. Não pode haver julgamentos e interferências externos.
As três situações citadas acima e com previsão legal são fatores de extremo sofrimento para as mulheres. A violência sexual, por exemplo, marca profundamente a vítima e pode provocar traumas irreversíveis. Além disso, um dado alarmante é que o número de estupros tem apresentado crescimento no Brasil. Segundo levantamento do último Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a quantidade de estupros supera o de homicídios dolosos (com intenção de matar). Se o País não consegue proteger as mulheres que, ao menos, ofereça amparo e apoio. Os outros casos que têm previsão legal também são fatores traumatizantes para as mulheres e, por isso, a discussão tem que ser ampliada.
Importante esclarecer que não se trata da defesa generalizada do aborto. No entanto, a sociedade precisa ganhar maturidade e assumir que há um problema. Entidades afirmam que abortos clandestinos devem ser tratados como caso de saúde pública, dado ao crescimento desses atos. A prática – ilegal – coloca em risco a vida das mulheres e pode ocasionar graves problemas de saúde. Além disso, acredita-se que há subnotificação do total de ocorrências. Para reduzir esses índices é interessante que ocorra um aumento da fiscalização para que essas clínicas sejam fechadas e que os responsáveis sejam punidos. Além disso, também deve ser desenvolvida campanha de conscientização.
No entanto, é importante que as mulheres tenham consciência de seus direitos. Esse esclarecimento deve ser ampliado e também é importante que o "tema aborto" seja incluído na pauta de discussões da sociedade.

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