Tem ficado cada dia mais evidente o esforço do governo federal em aprovar o aborto no maior número de circunstâncias possíveis no Brasil. Esta é a linha de pensamento dominante no governo Lula, o que se observa nas medidas encaminhadas pela Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres e pelo Ministério da Saúde. Nisso não há nenhuma novidade, pois o posicionamento majoritário de seu partido, o PT, sempre foi pró-aborto e era previsível que a eleição de um presidente desse partido levaria, com um bom grau de certeza, às medidas que temos visto agora.
A Igreja Católica é contrária ao aborto em quaisquer circunstâncias. O Código de Direito Canônico no cânon 1398 coloca objetivamente que: ''Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae (ou seja, automática).'' Não há nenhuma exceção quanto aos motivos do aborto e todos que conscientemente intervêm no processo abortivo, quer cooperando material ou moralmente, são igualmente atingidos por essa lei.
Mas não foi o governo Lula que contou com o apoio de uma parte da Igreja, composta inclusive por clérigos, na campanha presidencial? Não é este mesmo governo que teve ou tem membros ''religiosos'' participando de sua gestão? Que dizer então da atitude desta parte da Igreja? Há maior incoerência do que ser religioso e ao mesmo tempo apoiar um presidente abortista? Aqui na Arquidiocese de Londrina, o número de padres que até assinaram cartas apoiando a candidatura do Lula infelizmente foi expressivo. De que adianta agora esses mesmos padres dizerem-se contra o aborto, se o presidente que está tentando aprová-lo venceu a eleição com o apoio deles?
Não é igualmente incoerente dizer-se católico, ter ''companheiros'' dentro da Igreja e ao mesmo tempo publicar ''normas técnicas'' para, sorrateiramente, implantar o aborto em definitivo no Brasil?
Coerência não tem sido mesmo o forte no governo Lula. É só observar a quantidade de pessoas arrependidas por ter votado nele. Porém, como católica, devo dizer que dói muito mais ver a mesma incoerência dentro da Igreja, cuja missão neste mundo seria justamente apregoar e praticar sempre a verdade.
MARCIA CAROLINE PORTELA AMARO é enfermeira em Londrina

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