Merece ser examinada com todo o cuidado a denúncia do presidente do Conselho de Trânsito de Londrina, advogado Fábio Chagas Theophilo, feita em artigo nesta página. Porque a acusação é grave, e deve merecer atenção só pelo fato de partir de quem parte. Sua reputação não lhe permite dizer futilidades. Ele prega que ‘‘é preciso abortar radares e privatização das multas’’, como está querendo a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização. São 46 radares a ser instalados, com a entrega do serviço a uma empresa particular, a um custo de 400 mil reais por mês.
  A participação privada na receita das multas é algo muito sério e abominável, ele diz. O presidente do Conselho prega veementemente que a sociedade refute essa medida, que chama de repugnante. E propõe amplo debate e adoção de novas políticas no setor do trânsito, ‘‘que não o privilégio e a banalização da punição indiscriminada a proprietários de veículos. Ele acusa que o poder público não oferece nenhuma contrapartida em investimento pesado para melhorar o trânsito de Londrina e evitar acidentes. Theophilo lança o repto: não acredite em tudo que você ouve e no que as autoridades falam à imprensa.
  A CMTU alega que os radares também ajudam a polícia contra os criminosos, mas ele diz que isto é uma inverdade. Com um contrato superfaturado superior a milhões de reais, é evidente o interesse econômico-financeiro - ele afirma. Ter os seus motoristas como clientes interessa muito à CMTU - concluiu o presidente do CT - e compara que um contrato milionário, com a participação de empresa privada na arrecadação de multas, se depara com a ausência do poder público municipal em outros setores mais importantes, como saúde, segurança, educação e mesmo na área do trânsito. Com efeito, esse modelo não pode ser imposto à revelia de consulta popular e de autoridades - daqui ou de fora - especializados em questões de tráfego urbano. Cabe questionar essa pretensão no âmbito das Promotorias de defesa do cidadão e mover ação popular para embargar essa plano, até que seja examinado com critério. E os vereadores, o que dizem?
  As medidas oficiais no setor do trânsito, em Londrina, visam antes de tudo a arrecadação e não melhorar o sistema viário. Assim foi com a criação dos Agentes de Trânsito. Imagine-se uma empresa particular, sedenta de faturar o mais possível, à custa dos condutores de veículos! Se o projeto vingar, estes que se acautelem com uma bem provável indústria de multas. Os motoristas não são tão bandidos no trânsito de Londrina como se apregoa, e o que ocorre não é diferente em outras cidades com tão grande número de veículos. Se muita irresponsabilidade existe, ocorre também uma constante política de crítica aos que estão ao volante. E quem fiscaliza investidas como esta de privatizar as multas?

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