ABORDAGEM POLICIAL - Ação e reação
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de março de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
As abordagens policiais voltaram a ser tema de debate, em Curitiba, depois de duas ações que resultaram na morte de jovens no Largo da Ordem (centro) e no Umbará (periferia). A Polícia Militar, nos dois casos, diz que apenas reagiu aos tiros dados pelos supostos infratores. Os policiais envolvidos nos dois casos respondem inquéritos para apurar excessos. Enquanto isso, a população se sente insegura. Confira a entrevista que o chefe da Coordenação de Planejamento do Comando do Policiamento da Capital (CPC), major Douglas Dabul.
As abordagens policiais são feitas sempre com muito rigor. Isso não intimida?
Por que o guarda pára com a arma na mão? Você não sabe quem está do outro lado. Um segundo entre estar com a arma e ter que sacar a arma, a outra parte já atirou. Ele está vendo que sou polícia. Não sei se ele é médico, fotógrafo, locutor ou se é alguém que está com arma escondida e vai tentar me atingir. Por isso a antecipação.
É esse momento de tensão que ocasiona, muitas vezes, o excesso?
Não sei se é o que gera o excesso. Mas, se há uma reação da outra parte fugindo, atirando, o policial vai reagir, muitas vezes, na mesma intensidade. Ali é o momento de cada um. O equilíbrio que ele está vivendo. Ele tem um histórico de serviço. Muitas vezes já atendeu várias ocorrências e aquela ali deu um confronto.
Eles não são bem preparados?
Sim, mas são humanos. É um detalhe que as pessoas esquecem. Ele é um policial. Ele é bem treinado. Mas ele não deixa de ter reações.
No caso de uma fuga, qual é a orientação?
A orientação é fazer um acompanhamento, acionar apoio, fazer cerco.
A PC reclama muito que os PMs costumam alterar o local do crime. E aí?
A cena tem que ser preservada. Mas, se você tiver que definir entre a vida e o local de crime, você vai priorizar a vida. Se tem outra viatura que chegou junto, que tem condição de ficar preservando o local, isso será feito. Agora digamos que é só uma guarnição, uma equipe. É prudente deixar dois policiais a pé preservando o local do crime? Que segurança que eles têm?
No caso do Largo da Ordem, em que chegou o apoio, não deveria ter sido preservando o local do crime?
Sim. E isso vai ser investigado. Queremos saber o porquê isso não foi feito.
Foi um erro tático...
Será apurado. Mais fatores podem ter influenciado na ação dos policiais. Não sei quantas pessoas tinham no Largo da Ordem.
Eles acionaram o IML?
Vamos investigar. Às vezes a gente aciona e não tem equipe disponível do Instituto Médico Legal. Às vezes eles demoram quatro horas.
O senhor disse que houve erro. Também pode ter havido outros erros, já que não existem provas de que os policiais responderam aos tiros nos dois casos...
Tenho certeza que foi apreendido um revólver 22, no Largo da Ordem, com capacidade para dez tiros, com oito deflagrados. O relato é de que nos dois casos houve reação dos policiais aos tiros. No segundo caso, tinha a situação de alerta do furto do veículo - que estão questionando agora. Esse menino tem histórico com a polícia.
Histórico não justifica a morte...
Mas pode ter gerado a reação e fuga. Não conheço ele. Ele pode estar devendo para a Justiça. O normal é fugir.
É isso que volto a insistir. A fuga não deveria gerar a morte...
Se não houvesse tiro. A outra parte fugiu e atirou. É complicado. O que tenho que apurar agora é se houve excesso.


