Governos estaduais e municipais pouco cogitam de reduzir seus gastos abusivos e as mordomias, mas chegaram a unir-se contra a decisão presidencial que eleva para R$ 950 o piso salarial mínimo do magistério público de educação básica. Agora, ao menos deputados estaduais e federais do Paraná mobilizam-se para fazer vigorar aquele piso no Estado. O piso no Paraná já atingia aquele valor mas há municípios que não o adotam.
Em nível nacional, foi preciso criar uma frente, que atuará junto a governos dos Estados e prefeituras visando garantir aquele valor, agora assegurado por lei e que terá de entrar em vigor de agora até janeiro de 2010. A lei também determina uma jornada de trabalho de 40 horas semanais e 33% desse tempo para atividade complementar fora da sala de aula - que é o quanto o professor gasta, em casa, para elaborar e corrigir provas. Já sancionada, a lei foi contestada por meio de recurso no Supremo Tribunal Federal.
Um salário destes já é baixo, e assim mesmo governadores não querem pagá-lo. Primeiro, porque não valorizam o professor, e segundo porque isto significará um empenho maior de verba, que talvez vá faltar para a farra pública. O argumento de que não há suporte financeiro é aquele sofisma - o falso com aparência de verdadeiro - que todos conhecem. Natural que com o inchaço no funcionalismo e com o exorbitante gasto de manutenção dos excessos, o desvio de dinheiro para a boa causa dos professores vai escassear para a doce vida que impera nos redutos superiores do poder público. Hoje cerca de 70% daquela categoria de educadores, em todo o Brasil, recebe abaixo do novo piso. Nada justifica a resistência de muitos governadores e prefeitos, a não ser a existência de uma mentalidade pobre acerca da valorização profissional, destacadamente de quem atua no magistério básico e nos setores acima apontados.
Nos comandos governamentais ainda predomina um certo fundamento de que primeiro é locupletar-se das benesses e sustentar-se no poder, parecendo que para eles esses verdadeiros operários do ensino e outros serviçais indispensáveis são estorvos, porque são numerosos e consomem considerável fatia do numerário.
O novo piso nem deveria ser questionado, mas aceito sem restrição. Nunca se soube de reação contrária de titulares governamentais e parlamentares e nem de questionamento sobre insuficiência de recursos quando eles reclamam para si a proporcionalidade de ganhos na relação com as esferas mais altas correspondentes - isto valendo para todos os Poderes.

mockup