Abílio Medeiros Junior

Um novo cenário
É impossível, mesmo para aqueles mais céticos, deixar de perceber e identificar em Londrina a existência de um processo de transformação pelo qual muitos trabalharam e lutaram e pelo qual todos seremos beneficiados. A mudança em curso vem pelas mãos de grandes grupos industriais e encerra de vez qualquer dúvida sobre a validade e a necessidade da industrialização de Londrina, tema que já foi alvo de controvérsias e polêmicas.
O que antes sequer ouvíamos nos discursos mais ufanistas hoje é uma realidade concreta: Londrina será o segundo pólo industrial do Estado e tem tudo para ser um dos mais importantes do País, num espaço de tempo menor do que podemos esperar.
O trabalho que vem sendo executado pelo município - diretamente pelo prefeito Antonio Belinati e pelo presidente da Codel, Alex Canziani, e equipe -tem resultado em sucessivas conquistas. Vale ressaltar também o importante apoio profissional do Plano de Desenvolvimento Industrial de Londrina (PDI) e a retaguarda estratégica e decisiva do governo do Estado.
A Dixie Toga, primeira grande indústria a se definir por Londrina, acaba de anunciar a construção de sua terceira unidade, junto à estrutura já em fase de finalização na Cidade Industrial. A indústria coreana de pneus Kumho e projetos como o da metalúrgica Beta-Sul e outros mantidos corretamente em sigilo seguem o mesmo caminho.
Os números são o melhor referencial para medirmos o significado real destes investimentos. Serão cerca de 2 mil empregos diretos e mais de R$ 300 milhões a serem investidos ou já em fase de aplicação. Apenas para se ter uma idéia, o valor destes investimentos equivale a quase três orçamentos do município.
Em outras palavras, Londrina vive nos últimos meses a abertura de uma nova e decisiva fase econômica. Trata-se de uma mudança substancial da matiz produtiva. Para nós, empresários, e para a comunidade como um todo, as perspectivas são muito muito positivas.
Um dos pontos importantes nesse novo cenário é que a idéia de estagnação econômica do município está definitivamente afastada. Londrina soube crescer mesmo nos períodos mais difíceis e, agora, dá mostras de que tem potencial mais do que suficiente para atrair investimentos. As entidades, empresariais ou não, são participantes ativas desse processo.
Outro item fundamental é que o processo de industrialização está sendo conduzido de maneira profissional, através do Master Plan da Cidade Industrial de Londrina, elaborado pelo arquiteto Jorge Wilheim e que tem como uma de suas bases a preocupação com o meio ambiente. Desta forma, teremos grandes indústrias sem que a qualidade de vida da população seja ameaçada. Este planejamento coloca Londrina em situação privilegiada em relação a grandes centros onde a industrialização chegou antes e gerou danos difíceis de reparar.
Podemos comemorar também o fato de que, hoje, a cidade está consciente de que atrair grandes projetos industriais é fundamental para o futuro do município e de todos, em particular. Grandes indústrias são multiplicadoras. Elas não só atraem outras unidades produtivas como também injetam na economia local a regional recursos novos. Estas indústrias trazem também cultura tecnológica.
Por serem uma das melhores formas de distribuição de renda, os empregos que já estão sendo criados por estas empresas vão contribuir para a melhoria do perfil sócio-econômico da cidade. Os salários em sua maioria serão canalizados para o pequeno e médio comércio, gerando mais renda e outros empregos. Ao final desta progressão, toda a economia será beneficiada, do comércio às empresas prestadoras de serviço, da indústria da construção até o segmento de lazer.
O processo está hoje assimilado por toda a comunidade. As entidades de classe, sindicatos e todos aqueles que têm poder de representação passaram a falar a mesma língua e trabalhar pela mesma meta. A industrialização é um alvo comum.
O que temos, portanto, é uma realidade da qual todos devemos saber participar construtivamente. Mudar o perfil de um município é tarefa das mais difíceis e que, felizmente, está sendo cumprida pela Prefeitura, Codel e demais órgãos técnicos e pelo Estado.
- ABÍLIO MEDEIROS JUNIOR é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil)

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