Viver a bordo de um transatlântico durante meses, ganhar em dólar e conhecer cerca de 14 países foi a forma que o paranaense Anderson Rodrigues da Silva encontrou para acumular experiência, conhecer novas culturas e enriquecer o currículo. Em 2005, ele trabalhava em Veneza - onde atualmente dirige um hotel cinco estrelas -, quando se candidatou a uma vaga no departamento de excursões. Em menos de um mês assumiu a gerência do departamento responsável pela venda e realização das excursões nas cidades onde o navio aportava.
Silva diz que os brasileiros trabalham sempre com o sorriso no rosto e isso agrada aos turistas. A bordo dos navios da empresa italiana em que trabalhou, sempre havia brasileiros no setor de entretenimento.
Atualmente, existem cerca de mil vagas para quem deseja experimentar a vida em alto-mar. Desde 2000, uma lei exige a contratação de 25% de marítimos brasileiros em todos os navios que exploram a costa do país, mas mesmo companhias que operam em outros países preferem a mão-de-obra brasileira pela facilidade de adaptação e criatividade.
O londrinense Ronald Marczak não se assustou com a rotina intensa de muitas horas de trabalho sob pressão e produção em grande escala, quando aceitou a posição de chef de cozinha de um navio. Segundo ele, a experiência é única. Aprender a lidar com pessoas de várias nacionalidades foi seu grande desafio e a motivação veio do prazer de desenvolver um trabalho diferente. Mas não se pode negar que o salário de US$ 7 mil ao mês (mais bônus) é também um grande incentivo.
''Durante esses cruzeiros conheci muitos países, vi muitos fatos curiosos e desenvolvi um trabalho que foi reconhecido. Em 2005, o navio em que trabalhava ganhou o prêmio de melhor restaurante no mar'', conta. Marczak explica que o tripulante é pontuado pela qualidade do trabalho que faz. ''Quando o passageiro gosta do seu trabalho, é generoso e as gorjetas podem engordar o salário no fim do mês.''
Seleção - Em Londrina, o Grupo de Estudos Turísticos realiza palestra na próxima quarta-feira, dia 18, das 18h30 às 22h30, no Senac, para interessados em trabalhar em cruzeiros. Os currículos serão analisados e os selecionados serão chamados para entrevistas e testes nesta sexta-feira, em Londrina.
O candidato passa por um processo seletivo onde são avaliados o perfil físico e psicológico, e o domínio do inglês. Se for aprovado, passará de seis a dez meses a bordo de um navio.
A remuneração varia de US$ 600 a US$ 1,5 mil ao mês, que pode aumentar com as gorjetas ou comissões recebidas. O tripulante tem assistência médica e nos dias de folga é possível conhecer o local em que o navio está aportado, além da oportunidade de desenvolver uma carreira no mercado marítimo.

mockup