Abav-99, tempo de conscientização - Júlio Cézar Rodrigues
Abav-99, tempo de
conscientização
Júlio Cézar Rodrigues
Conscientização. É isso o que se aguarda, particularmente, com relação ao Congresso Brasileiro de Agências de Viagens (Abav/99), que estará movimentando Curitiba de hoje até sábado. Conscientização sobre as nossas potencialidades, estruturas, belezas, a nossa hospitalidade. E conscientização das nossas fraquezas material promocional precário, espaços editoriais na imprensa especializada pouco ocupados, presença acanhada em feiras internacionais, verbas de marketing aquém das necessidades, falta de ousadia.
A conscientização que se quer ver emergir também é a da organização e da politização. As entidades de classe devem estar bem estruturadas, articuladas, fortalecidas, levantando carências, demandas, e apontando soluções; e é preciso fazer funcionar os Conselhos de Turismo e os convention & visitors bureaux e ter representação política. Tem-se que pleitear e concretizar instrumentos que identifiquem uma política de turismo e ofereçam os suportes ao desenvolvimento dessa indústria. É mister ter claro um conjunto consentâneo de leis que incentivem ao investimento no setor e à abertura de mais postos de trabalho, também linhas de crédito que fomentem e emendas orçamentárias que sistematizem fluxo de recursos para o setor. Quem sabe, um ministério exclusivo do Turismo?
Almeja-se a conscientização de que a caminhada em conjunto encurta distâncias, agiliza soluções e ajuda a ultrapassar obstáculos. O turismo não é uma atividade singular: iniciativa privada, Poder Público e entidades de classe formam o tripé. Não é sem propósito que a Abav inaugura neste Congresso de Curitiba um espaço intersetorial no qual estão democraticamente presentes as principais entidades do turismo nacional. Oxalá todos se conscientizem de que mais que oportunidade de encontro festivo, de confraternização esse mote deve ser captado em sua essência e servir de ponto de partida para que se passe a encarar a atividade turística como uma tarefa a ser tocada a muita mãos, sem estrelismos, com co-responsabilidade.
Que o Abav-99, a par dos seus aspectos de momento de debate da classe dos agentes de viagens e de feira de negócios, seja também tempo de conscientização. Que nos faça pensar sobre os reflexos e impactos da atividade sempre tão alardeados sobre nossas responsabilidades e nos induza a procurar, juntos, as veredas que colocarão o Brasil no patamar das nações onde o turismo é atividade de reconhecido retorno econômico e social.
- JÚLIO CÉZAR RODRIGUES é jornalista e presidente da Abrajet-PR, em Curitiba





