Quanto antes os animais forem abatidos, mais cedo o Estado do Paraná poderá exportar carne bovina. Esta foi a conclusão do juiz Cleber Sanfelici Otero, de Londrina, ao alterar liminar anteriormente concedida e determinar, ontem, o sacrifício dos bovinos da Fazenda Cachoeira (em São Sebastião da Amoreira), que mostram indícios de ter febre aftosa. Embora não havendo laudo conclusivo mas apenas os sinais citados, o magistrado considerou juridicamente correta a decisão do abate/sacrifício das 1.795 cabeças da propriedade. Ele também decide que, pelo fato de os laudos do Laboratório Nacional Agropecuário ‘‘apontarem meros indícios’’ e ‘‘não havendo constatação da doença’’, cabe a indenização ao proprietário da fazenda, conforme estabelece a lei pertinente. Sempre que, por interesse da defesa sanitária animal, venha a ser determinado o sacrifício das unidades doentes, destruição de coisas ou construções rurais, caberá aos respectivo proprietário a indenização, que deverá ser em dinheiro e mediante prévia avaliação. Ipso facto, espera-se que o abate coloque um fim à novela da aftosa em território paranaense, e assim todos os embargos sejam levantados, isto se o Ministério da Agricultura e Pecuária não resolver pela detecção de novas suspeitas. O Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária, em reunião de semanas atrás, já havia decidido pelo abate, como forma de restabelecer os negócios da carne, no Paraná, que sofreram grande queda desde outubro do ano passado, quando a suspeita foi levantada – primeiro pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, e a seguir, muito fortemente, pelo Ministério. Se as suspeitas não passaram disso e o Paraná, como conseqüência, vem pagando preço alto, a decisão pelo abate parece um expediente salvador, pelo indicativo de colocar um ponto final nesta que tem sido uma tragédia para os negócios da pecuária paranaense. A reação popular não é, certamente, favorável a isto que considera um grande desperdício, mas uma operação que resultasse no aproveitamento dessa carne seria contraproducente e sem efeito face às normas que regem a questão da sanidade animal. Para um grande problema, uma solução de igual envergadura, porque adiar decisões é prolongar prejuízos. Doravante as barreiras para entrada da doença deverão ser reforçadas – quando se constata que existe gado argentino contaminado e não se sabe como estão os rebanhos paraguaios – e, certamente, os cuidados com a vacinação serão intensificados. O trauma – que ainda não terminou – deve ao menos servir para um olhar mais atento sobre a importância de uma pecuária sadia e sobre os estragos que um episódio como o presentemente vivido é capaz de causar.

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