A hipótese de racionamento de etanol deve ser descartada, a não ser para evitar especulações. O governo e o setor produtivo têm instrumentos para equilibrar oferta e demanda de modo a garantir o abastecimento, mesmo num quadro de baixo estoque como agora. O assunto preocupa o governo. Neste momento o melhor a ser feito é tratar a questão com transparência para evitar que cada segmento da cadeia combustível interprete o impasse segundo seu interesse.

A oferta de álcool hidratado não está conseguindo atender a demanda. No entanto, o governo trabalha com a flexibilidade do carro bicombustível, que é importante para equalizar a relação entre produção e consumo. Isso vale também para o equilíbrio de preços, hoje muito elevado para o consumidor. A produção de álcool hidratado deverá atingir 19,6 bilhões de litros na safra 2010/2011, comparada aos 18,8 bilhões de litros na safra anterior (apenas 4,14%).

É bom que se diga que a preocupação se refere apenas ao álcool hidratado; o anidro, adicionado à gasolina, não corre risco de escassez. Não foi sequer cogitada a hipótese de reduzir o índice de adição de álcool anidro à gasolina, atualmente no máximo permitido, de 25%. A legislação brasileira permite ao governo reduzir a até 20% o porcentual de álcool anidro adicionado à gasolina.

Em outra ocasião, em que o abastecimento de álcool foi ameaçado, o governo interveio e negociou a redução do beneficiamento da cana para fins de açúcar, disponibilizando mais matéria-prima para o álcool. A opção pelo açúcar ou pelo álcool é uma opção de mercado - respeitada a prioriedade do abastecimento. Portanto, além da ampla flexibilidade na ponta do consumo - trabalhando com o fator bicombustível dos motores - ainda há como flexibilizar na ponta da produção com a opção preferencial do beneficiamento da cana (para açúcar ou para álcool.

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