ABANDONO COMOVENTE Famílias devem estar preparadas
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sábado, 24 de agosto de 2002
Gilmar Agassi<br> Equipe da Folha 
Cascavel - O número de casais que procuram a Vara da Infância e da Juventude de Cascavel para adotar uma criança é relativamente grande. Muitas das famílias, no entanto, não se enquadram nos parâmetros exigidos para que a adoção seja concretizada. Atualmente, mais de 100 casais estão habilitados, depois de passarem por uma avaliação técnica que analisa, entre outros, as condições morais e as relações do casal com os demais familiares dentro da casa. O juiz da Vara da Infância e da Juventude, Sérgio Luiz Kreuz, explica que a avaliação feita pela equipe técnica é importante para que se tenha certeza de que a criança terá condições dignas de sobrevivência e não correrá riscos de sofrer agressão. Ele completa que alguns casais tentam fazer a adoção para preencher uma lacuna existente no lar ou mesmo para ''salvar'' o casamento. ''A emoção não pode ser levada em consideração em casos de adoção'', ressalta.
Segundo o juiz, o caso da menina Leriel Pimentel, encontrada engatinhando na periferia de Cascavel (e solucionado pela polícia na semana passada), é um bom exemplo de casos em que as pessoas se deixam levar pela caridade e tentam fazer a adoção. Nos 10 dias em que a criança ficou em um abrigo, centenas de pessoas procuraram a Justiça a fim de adotá-la. ''Seria uma injustiça conceder a guarda a uma família que não estivesse previamente habilitada. A criança estaria sempre recebendo favores dessa família'', observa.
Sérgio Kreuz acrescenta que para uma criança ser adotada é necessário que ela tenha sido abandonada pelos pais, ou então, que a Justiça decida pela destituição do pátrio poder, que acontece, normalmente, em casos de agressão física ou abuso sexual. Ele afirma que o processo de adoção é bastante rápido, principalmente em casos de abandono, quando em dois dias essa criança poderá estar com uma nova família.
O juiz completa que atualmente não existe nenhuma criança de 0 a 4 anos apta a ser adotada em Cascavel. De acordo com Sérgio Kreuz, os casais da Comarca e do Estado têm preferência na adoção, já que muitos casais de outros estados também estão na fila de espera. Ele diz ainda que para evitar a discriminação futura, casais de pele branca dificilmente adotam uma criança negra.


