Abaixo o `jeitinho brasileiro´
O Brasil foi sacudido, há algumas semanas, por manifestações que começaram com um objetivo claro - a luta pela redução das tarifas de transporte público -, mas que ganharam proporções gigantescas conforme as reivindicações se tornavam mais subjetivas. O ato de protestar passou a ser mais importante do que as causas das manifestações e a rua ganhou cartazes com frases contra a precariedade dos serviços públicos, o custo de vida, a homofobia, a corrupção, a Fifa, os gastos com a Copa do Mundo e outras demandas acumuladas pela população durante anos de passividade. Quem diria que o País do futebol pouco ligaria para a Copa das Confederações, realizada no quintal da moçada que cresceu driblando a bola em campinhos, ginásios e asfalto.
Filósofos, sociólogos e analistas políticos ainda procuram explicar o que deseja a multidão que foi às ruas em todos os Estados e se organiza para novas manifestações. Embora a oposição deverá explorar, nas próximas eleições, os últimos acontecimentos como sendo uma reprovação à administração da presidente Dilma Rousseff, está claro que não se trata de um protesto unicamente contra o governo federal. É muito mais do que isso. São atos que demonstram o desagrado à política tradicional que se pratica no Brasil, que favorece à corrupção, as diferenças sociais e a ignorância do povo em relação aos seus direitos e deveres.
Mas o que significa ser contra a corrupção? Os indivíduos que foram às ruas com cartazes e palavras de ordem têm consciência que a corrupção faz parte do cotidiano e já foi até institucionalizada no velho jeitinho brasileiro? Embora associados a partidos políticos, ações de prevaricação, suborno e perversão são praticadas diariamente por pessoas comuns, quando driblam normas e adotam manobras antiéticas para conseguirem vantagens. Exemplos não faltam: pagamento de propina para se livrar de multas, não devolver o troco que recebeu a mais no mercado, furar filas, desrespeitar as vagas de estacionamento para idosos e deficientes físicos, trabalhar sem carteira assinada para continuar recebendo o seguro-desemprego, burlar cadastro do governo federal para receber o Bolsa Família, apresentar atestado médico falso para faltar ao trabalho ou à escola, roubar sinal de TV a cabo, entre tantos outros comportamentos em desacordo com as propostas das manifestações que ganharam as ruas. O Brasil precisa mudar e isso implica que os brasileiros também precisam deixar para trás os velhos hábitos de caráter duvidoso.





