Em Londrina, uma das principais formas de incentivo para instalação de novas empresas - ou preservar aquelas que já mantêm negócios na cidade - não tem surtido o efeito desejado, como reportagens da FOLHA mostraram nesta semana. Em dez anos a Prefeitura doou 174 terrenos públicos à iniciativa privada para que sedes dessas empresas fossem construídas, mas apenas um terço dessas áreas foi aproveitado. No mesmo período, outra forma de atração de empreendimentos - a isenção de impostos -, muito popular em outras regiões, deixou de ser utilizada. Uma estratégia que precisa passar por uma reavaliação.
Além de haver problemas nos terrenos oferecidos, como falta de licenciamento ambiental, há outras necessidades do empresariado que vão além de um endereço. Passa pela qualidade da infraestrutura e das soluções de logística. Como resultado dessa equação, a cidade tem perdido empreendimentos industriais para municípios vizinhos - apesar dos investimentos que a Prefeitura afirma estar fazendo -, o que se reflete na geração de empregos.
Os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostram bem o quanto de espaço o município está perdendo. A geração de postos de trabalho em Londrina em dez anos ficou abaixo da média estadual. Levando em consideração apenas as vagas na indústria, a diferença é ainda mais significativa. Ente 2001 e 2010 houve crescimento de 76% na contratação da indústria estadual, enquanto no segmento londrinense o incremento ficou em 50%.
O resultado abaixo do esperado influencia outras áreas da economia, impactando até mesmo segmentos considerados peças-chave no desenvolvimento municipal, como no comércio (que apresentou aumento de 91% na oferta de vagas no Paraná enquanto em Londrina o índice ficou em 79%) e nos serviços (54% contra 43%). Se a cidade não perdeu, o resultado poderia ter sido muito melhor.
Londrina tem papel estratégico para o desenvolvimento paranaense, mas seu potencial está sendo subjugado. Os altos e baixos no campo político dos últimos anos podem ter seu grau de culpa nessa questão. Mas está na hora de a cidade reencontrar seu papel. Ainda dá para reverter o quadro.

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