A sociedade brasileira, mais uma vez, demonstrou seu amadurecimento político e um grau de civilidade dignos de reconhecimento. As eleições do último domingo, envolvendo uma multidão de eleitores, transcorreram na mais absoluta ordem e foi uma grande manifestação de cidadania e democracia.
Totalizados os votos, cada partido menciona números e estatísticas de sua conveniência no afã de demonstrar seu fortalecimento na eleição. Alguns registram que triplicaram o número de prefeituras, outros que cresceram em centros importantes e ainda há os que tentam sublinhar um bom desempenho pelas vitórias obtidas em primeiro turno.
Do mosaico de partidos envolvidos na eleição, 25 conquistaram pelo menos uma prefeitura no País. Sem pretender seguir o modelo publicitário e autopromocional das outras agremiações partidárias, considero oportuno o registro de dois dados que são suficientemente loquazes para aferir o desempenho do PMDB neste pleito municipal.
De um total de 5.559 prefeituras envolvidas na disputa, o PMDB, a ‘‘Fênix que ressurge das cinzas’’, como o batizou o saudoso Ulysses Guimarães, elegeu 1.252 prefeitos. Pouco mais do que 1/5 de todos os municípios brasileiros serão administrados por prefeitos que professam as idéias e os programas do partido.
Considerando-se o total de votos dados aos partidos nas prefeituras, novamente é realçada a confiança dos eleitores no PMDB, que permanece sendo o maior partido do Brasil. Mesmo com um quadro de pulverização partidária, o PMDB obteve a confiança de 13,2 milhões de eleitores, sendo o partido que, individualmente, recebeu cerca de 16% do total de votos.
O PMDB optou por coligações na grande maioria das capitais e em vários centros não lançou candidatos, como São Paulo, Rio, Salvador, Maceió e Natal, dentre outros. Além disso o partido ainda disputa, com boas chances de vitória, o segundo turno em 9 grandes cidades. O número de vereadores eleitos pelo PMDB em todo o País é, igualmente, muito expressivo. Foi o partido que, de longe, mais elegeu vereadores em todo Brasil.
A direção do partido que, há pouco mais de um ano, iniciou um trabalho de reaglutinação e de unidade partidária, saberá respeitar, honrar e retribuir com trabalho e seriedade este patrimônio eleitoral. Igualmente estes números reafirmam as credenciais do partido para disputar as eleições presidenciais de 2002. Não há dúvida que um projeto nacional, como este, está intimamente ligado à capilaridade política dos partidos.
Mesmo neste cenário de celebração, o PMDB, agora, irá se debruçar no sentido de acelerar a tão necessária reforma político-partidária. O princípio da reeleição precisa ser profundamente avaliado, temos de fortalecer a fidelidade partidária e, principalmente, implantarmos o financiamento público e exclusivo de campanhas. Estes aprimoramentos são vitais para repetirmos as saudáveis cenas de democracia como da última eleição.
- RENAN CALHEIROS é senador pelo PMDB-AL e ex-ministro da Justiça

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