Mais de 90% da população da Crimeia respondeu ‘’sim’’ à união com a Rússia. O referendo foi realizado no último final de semana e, segundo o governo, 82% dos cidadãos aptos ao pleito puderam votar reivindicando a separação da Ucrânia. Jornalistas estrangeiros que acompanharam o referendo contaram que ele foi desorganizado e pouco fiscalizado. Em algumas seções, não havia controle de entrada nas salas de votação e as urnas eram transparentes. Não havia sigilo.
O governo do estado ucraniano não perdeu tempo e um dia depois do referendo, as lideranças viajaram para Moscou para iniciar o processo de anexação - desnecessário dizer que a consulta não é reconhecida pelo governo ucraniano, nem pelos Estados Unidos ou por países membros da comunidade europeia. Os EUA já ameaçaram com boicotes econômicos à Rússia.
O Estado da Crimeia fica localizado em uma península que avança pelo Mar Negro, no sul da Ucrânia. O território já pertenceu à Rússia, mas foi cedida à Ucrânia em 1954 pelo então secretário-geral do Partido Comunista soviético, Nikita Kruschev. Provavelmente, naquela época, os soviéticos não acreditavam que um dia o comunismo poderia acabar.
No pano de fundo dessa crise, há questões importantes como fornecimento de petróleo e gás. Mas a questão mais crítica é a localização na Crimeia de uma base militar russa no Mar Negro. É desse ponto que os navios do presidente Vladimir Putin conseguem chegar ao Mediterrâneo.
O presidente Putin não é um exemplo de liderança e os seus métodos pouco ortodoxos de conduzir a Rússia é motivo de questionamento. Porém, não se pode ignorar o resultado do referendo. Mesmo parecendo uma crise distante, no mundo globalizado em que vivemos, os problemas gerados em potências como a Rússia e a China afetam quem vive deste lado do Atlântico. As relações comerciais são importantes e o ideal é que se encontre uma solução inteligente e pacífica.
Outros dois referendos estão marcados para acontecer na Europa, este ano. Em novembro, a Catalunha fará uma consulta perguntando se a população quer ser independente da Espanha. A crise promete conflito, pois a Espanha não concorda com a reivindicação.
Menos traumático deve ser o referendo sobre a independência da Escócia, que está unida à Inglaterra há mais de 300 anos. Como não envolve a presença de uma importante base militar, não se percebe sinais de preocupação de líderes mundiais com os dois próximos referendos que expõem a onda separatista na Europa.

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