Comentários sobre a baixa reivindicação dos jovens caras-pintadas que ressurgiram em Curitiba apenas para reivindicar a ampliação do passe escolar para carentes não invalidam o acontecimento e não desqualificam esse modelo de protesto. Que ajudou na derrubada do presidente Fernando Collor e marcou um momento histórico de relevância para a cidadania pela força desse movimento popular e pelo resultado. Claro que espera-se muito mais dos jovens. A conquista das grandes soluções brasileiras aponta, como fórmula eficaz embora não muito levada à prática para o caminho da manifestação do povo, em forma de palavras e atos. Porque, contra a marcha consciente e decidida dos cidadãos não existe poder maior, e tudo o que venha a ocorrer na crista desse ideal será lícito, porque contra a maioria do povo não há sanção. Se, se por via dos parlamentares e dos governantes no geral, nada acontece, as lutas precisam ser deslocadas para o protesto das ruas. Porque os políticos andam a reboque dos clamores populares e os temem se eles chegam ao ponto de estremecer a pátria inteira. Como foi na época da derrubada de Collor. Os homens públicos só não têm medo de um povo fragilizado e sem ânsia de luta. O exemplo de Curitiba, embora por um pleito de baixa consistência, rememora a façanha de uma grande conquista, que foi derrubar um presidente da República, fato inédito na história da democracia brasileira. Foi marcante no episódio a ação dos caras-pintadas, ostentando no rosto listras verde-e-amarelas e bradando palavras de ordem, dispostos a tudo. Se os jovens e por extensão todos os brasileiros patriotas e corajosos se organizarem também para causas de grande envergadura, como naqueles dias, não sobrará pedra sobre pedra de tudo quanto é nefasto neste país. Governantes corruptos e inoperantes serão derrubados, políticos do mesmo naipe escorraçados, reformas estruturais passarão a ser discutidas, bancos reduzirão juros, gastos públicos serão contidos, pedágio terão tarifas civilizadas e mostrarão serviços; os atendentes públicos se aprumarão, impostos cairão e no geral se reduzirão os abusos. A legislação resultará alterada, para servir aos fins a que se destina que são os de atender às vontades e necessidades do povo e a própria Justiça reformulará seus conceitos. Cairão por terra todo o poder autoritário e os favorecimentos, na esfera da administração pública que hoje ocorrem e propiciam desmandos também em instituições privadas. Porque não há poder maior do que um povo em marcha cheio de razão.

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