Vimos pela televisão, nestes dias, pronunciamento do Ministro Sérgio Amaral, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, dizendo que está em discussão no governo incentivar novamente a produção de carros a álcool. Isso significa dar um novo e salutar impulso à nossa economia, o que não é sem tempo. Acreditamos que o debate sobre o programa alcooleiro no Brasil já foi bastante estudado e se encontra suficientemente amadurecido para vermos claramente os seus benefícios tecnológicos, sociais e econômicos que têm favorecido o nosso país.
Ainda mais agora que se fala em motores que funcionam tanto a gasolina como a álcool, bastando o simples apertar de um botão para fazer-se a alternância, não se pode ignorar esse avanço da tecnologia, mas, sim, ampliar ao mercado essa alternativa de estimável valor que é o álcool.
Ainda está na nossa lembrança que, por volta de 1984/85, cerca de 95% dos carros produzidos no Brasil usavam álcool. É que a crise do petróleo dos anos 70 estimulou o desenvolvimento de novas tecnologias de motores e o aumento da produção de cana de açúcar. No entanto, a falta de apoio governamental e as políticas de preços oscilantes provocaram um grande descrédito em relação ao álcool, a ponto de, no ano passado, apenas 1% dos carros serem a álcool. Aquela propaganda do governo ‘‘carro a álcool: você ainda vai ter um’’, passou a ser motivo de chacota.
Apesar disso, o Brasil tem tudo para usar o álcool em grande escala e, com isso, regularizar a oferta de combustível, economizar divisas, manter o ambiente limpo e gerar uma grande quantidade de empregos. É que as condições naturais das diferentes regiões do Brasil permitem plantar a cana o ano todo. Isso garante uma oferta firme e contínua. Cada tonelada de cana tem um potencial energético equivalente a 1,2 barril de petróleo. Ademais, a mesma cana pode ser colhida 5 vezes.
Está na hora de o programa do álcool ser reativado de maneira realista. A produção e a comercialização de cana, hoje em dia, não tem nenhum subsídio do governo, bem diferente do que ocorre nos EUA e União Européia, onde correm soltos e em volume elevado os subsídios ao setor agro-pecuário.
Aqui, uma tonelada de açúcar custa de US$ 165 a US$ 200. No mundo, a média está entre US$ 320 e US$ 364, sem falar no açúcar de beterraba, que custa uma fortuna.
Mas os benefícios sociais são ainda mais importantes. A cana de açúcar é uma verdadeira usina de empregos, e de baixo custo. Vejamos esta comparação, apresentada por Antonio Ermírio de Moraes: um posto de trabalho no setor petroquímico exige investimentos de, aproximadamente, US$ 200 mil; no metalúrgico, US$ 140 mil; no de bens de capital, US$ 100 mil; e, no de cana, apenas US$ 10 mil.
É inconcebível sofrermos diante dos perversos cartéis internacionais de petróleo, quando temos em nossas mãos a solução dos problemas de combustíveis, de divisas , de poluição e de emprego, todos a um só tempo. E tudo isso por conta da iniciativa privada, sem subsídios e sem cartelização. Mas o empurrão inicial tem que ser do governo, institucionalizando o programa do álcool com eficácia, de maneira permanente, assegurando que agora é pra valer, que o álcool será um solução séria e continuada.
OSWALDO TREVISAN é ex-deputado federal e advogado em Cornélio Procópio

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