Imagine alguém pisando numa mola espiral. Com o peso, a mola é pressionada e quanto mais achatada mais ganha impulso ao se projetar para o alto. Então o peso tem que ser mantido. Na atual fase da economia brasileira, a espiral inflacionária está ganhando este formato. É como uma grande quantidade de água represada. Se abrir as comportas, diques e eclusas vão abaixo.

Um dos pontos positivos da economia é o aumento do poder de consumo. O cenário está montado desde janeiro: aumento da massa salarial com ganho real em muitas categorias; prazos de crediário bem elásticos e os juros, embora elevados em relação a outros países, convenhamos que caiu um pouco. Sustentando este cenário você tem ainda o comércio com liquidez no varejo.

Nessa conjuntura é iminente o estouro da boiada. O aumento dos juros que o governo reluta em adotar, por conta das eleições, poderia conter a tendência. Mas não é saudável inibir o consumo usando instrumento de política monetária. É inteligente e mais sensato permitir o fluxo normal do comércio.

Mas é um risco. Neste quadro sensível, em que num piscar de olhos a inflação pode ganhar aí dois ou três pontos em um trimestre, a postura do consumidor é fundamental. Moderação nas compras! Como assim?, se o consumo é mola propulsora? Calma. Não é isso que se pretende sugerir. O consumidor deve adiar as compras especulativas, aquela que pode ficar para daqui a uns três meses. Comprar com mais ou menos elasticidade não significa renunciar ao conforto. A equação é simples, basta levar em conta a lei - felizmente irrevogável - da oferta e procura.

Atenção para este sinal de inflação: pela nona semana consecutiva, os economistas do Banco Central aumentaram a projeção para a inflação oficial e esperam agora que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) encerre o ano em mais de 5,1%. De acordo com a pesquisa Focus, divulgada ontem pelo BC, o Copom (Comitê de Política Monetária) deve subir a taxa básica de juros para 9,25% em abril. É posição defensiva para não acordar o dragão.

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