É indiscutível que a decisão do Tribunal Superior Eleitoral de manter a candidatura de Antonio Belinati confere-lhe um certo aval e cria um clima psicológico que poderá beneficiá-lo nas urnas, por influenciar eleitores indecisos. Esta posssibilidade a da indução é voz corrente desde quando, no começo deste mês, o Tribunal Regional Eleitoral suspendera sua candidatura e o eleitorado passou a aguardar o que resultaria da apelação para a instância superior. Certo é que, durante esse período, criou-se uma silenciosa mas tensa expectativa, envolvendo os torcedores a favor, os contrários e aqueles geralmente indiferentes mas detentores do poder de voto, significando toda a legião de votantes. Se a popularidade de Belinati já era historicamente forte, a situação de impasse das últimas semanas gerou um clima de espera e proporcinou ao candidato um marketing adicional negativo que fosse até certo ponto porque ele passou a ser o assunto permanente em todas as rodas. Sabia-se que a eventual manutenção da suspensão encerraria aí a questão mas que uma decisão favorável do TST lhe traria dividendos eleitorais. Denunciado por corrupção e com o mandato cassado no final de sua última administração, Belinati agora ressurge das cinzas como a ave mitológica e robustece mitos que sempre cercaram uma inegável simbiose entre o político e a cidade, ou por fanática admiração ou por raivosa rejeição. Se o mesmo universo eleitoral que fez Belinati vereador, deputado estadual, deputado federal e três vezes prefeito, também o apeou do poder e agora o coloca no topo das pesquisas, há que avaliar qual o verdadeiro perfil do eleitorado londrinense. Entre os mais ortodoxos fiéis do candidato existem os que defendem o postulado do ''rouba mas faz'', sob o argumento de que ''todos os governantes roubam e há os que nada fazem''. Não há quem não ouviu estas frases, com referência a Belinati, depois do episódio da sua cassação e da sua posterior volta à vida pública. Analistas tendentes a buscar explicações para fenômenos eleitorais relacionados com Londrina e seus prefeitos associam as obras de cada um deles à saga dos colonizadores, rica em lances de ousadia e cuja amostragem revelava-se em forma de realizações visíveis, que enchiam os olhos e os espaços. Londrina aprecia os fazedores de obras e abomina os acomodados. Certo é que na ficha corrida de Belinati figuram algumas destacadas obras, entre as quais as que foram iniciadas por outros prefeitos e concluídas por ele, outras iniciadas por ele e concluídas pelos que o sucederam, e as suas próprias. Ao lado de seu populismo e de sua forma de identificar-se com o ''cheiro do povo'', essas marcas estão presentes, assim como está presente e indelével a marca histórica de sua cassação, por desvio de elevadas somas em dinheiro, de que a Justiça ainda se ocupa. Estes os fatos. Nada se altera na presente corrida eleitoral só por mencioná-los, pois tudo o que aconteceu é de domínio público e não constitui nenhuma revelação.

mockup