A VIOLÊNCIA TEM ENDEREÇO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de novembro de 2002
Emerson Dias<br> Reportagem Local 
Dos 119 homicídios registrados nos dez primeiros meses deste ano em Londrina, um dado chama a atenção da população: apenas seis (1%) dos mais de 600 bairros e loteamentos de Londrina acumulam 26 homicídios. Pior: todos eles estão centralizados em uma única área da Zona Oeste, transformando a região no ''epicentro'' da violência.
Levantamento feito pela Folha de Londrina entre janeiro e outubro deste ano apurou que os 119 assassinatos aconteceram em 60 bairros e distritos rurais. Dentre eles, jardins Nossa Senhora da Paz, Maria Lúcia, Leonor, Santa Rita, Santiago e Jardim do Sol acumulam a maior parte dos mortos. O Nossa Senhora da Paz lidera a listagem, com sete homicídios registrados este ano, seguido pelo Jardim Maria Lúcia, com seis assassinatos (confira quadro ilustrativo nesta página). Todos os bairros estão concentrados em um ''triângulo'' formado pelas avenidas Brasília (perímetro urbano da BR-369), Luigi Amorese e Aracy Soares dos Santos.
A concentração de mortes violentas neste locais transformaram a Zona Oeste na região mais violenta de Londrina, com 41 ocorrências registradas em apenas 17 bairros. A Zona Norte totalizou, entre janeiro e outubro, 25 assassinatos em 15 bairros.
O reflexo destes dados também são registrados nas operações policiais. Tanto a Polícia Civil quanto a Militar tem agido com maior rigor nos pontos identificados. Durante a última semana, dois ''arrastões'' foram realizados na região e também na Zona Norte, resultando em prisões de suspeitos e apreensões de dez armas ilegais. Para o comando da 10 Subdivisão Policial, as operações serviram para sitiar locais com maiores índices de criminalidade e inibir a ação de criminosos neste lugares.
O Jardim Nossa Senhora da Paz também foi palco de diversas operações do Grupo Especial de Combate ao Narcotráfico (Gecon), criado em agosto deste ano e formado por policiais civis e militares. O tenente Gustavo Hauenstein, responsável pelos soldados que integram a equipe, também destacou o trabalho realizado durante a semana e relembrou diversos confrontos ocorridos no local, principalmente o tiroteio registrado no feriado do dia 12 de outubro, quando Thiago Ferreira da Silva foi morto depois de reagir à abordagem.
Com apenas 16 anos, ''Thiaginho'' já acumulava oito passagens pela polícia e estava com uma arma ilegal. ''Estamos dando atenção especial a estes bairros porque as denúncias têm sido comprovadas pelos resultados das operações'', comenta Hauenstein. As ações desencadeadas na úlitima semana continuarão sendo realizadas por tempo indeterminado.


