Todos os dias as reportagens na TV nos trazem a dura realidade da violência nas cidades brasileiras. Nas capitais e cidades maiores acontecem crimes horrendos, sequestros, violência de toda a espécie. As estatísticas são alarmantes e elevadas.
Em números, as mortes que acontecem num mês nas cidades brasileiras ultrapassam as vítimas de horas do atentado contra os Estados Unidos dia 11 de setembro de 2001, que chocou a humanidade.
Estes dados são a prova de que estamos em plena a guerra civil. Quando explode a guerra civil em um país, o exército deve intervir, o que justificaria a entrada dos homens de nosso exército para acabar com a marginalidade existente.
Mas, ao mesmo tempo que medidas duras fossem tomadas para coibir a violência, uma melhor distribuição de renda seria necessária, o que elevaria as vendas e o aquecimento das indústrias. Sem renda melhor, os salários não aumentam e como consequência as vendas são mínimas.
É questão política uma tomada de posição dura para aquecer a economia nacional, um reestudo da dívida externa, porque não é justo pagar juros da dívida externa, que já foi paga, e hoje tornou-se impraticável acorrentar o povo na recessão às custas de juros para o capital externo.
A violência só será coibida com a melhoria de vida do povo brasileiro. É claro que existem também marginais que assaltam, matam e roubam por ter se tornado um vício e uma deturpação de sua vidas, mas em tese a violência se combate com vida melhor. Assim os criminosos que persistirem deverão ter suas penas aumentadas e seus crimes punidos com rigor.
O povo deve ter esperança, os jovens certeza de que quando entrarem no mercado de trabalho, após seus estudos, estarão empregados e com a vida futura garantida.
Sabemos que até 2095 a globalização não mudará em nada e o grupo dos países ricos tem um pacto que ninguém quebrará tão fácil, apesar de termos a convicção de que um outro mundo é possível. Mas para não sermos ingênuos diante da realidade que foi montada pelos países poderosos, só nos resta acreditar que Deus não abandona seu povo e que uma dia virá a liberdade e o desenvolvimento para todos.
Querer resolver o problema da violência com mais violência também não é a solução. O mal deve ser combatido na base, solucionar e atacar a concentração de renda é o primeiro passo, depois virá a redistribuição desta renda em melhores salários, concluindo-se então a melhoria das vendas e por consequência o aquecimento das indústrias. Os países desenvolvidos querem continuar vivendo como estão, não interessa o homem dos países em desenvolvimento. Quando o homem (o ser humano) for colocado no centro das preocupações os problemas começarão a ser resolvidos e a violência aos poucos irá amainar. Também o narcotráfico se aproveita em muito desta situação criada.
Que a palavra paz tenha ressonância nos corações de todos os brasileiros.
MONSENHOR NATALÍCIO JOSÉ WESCHENFELDER é pároco da paróquia Nossa Senhora Aparecida, Salto do Lontra (PR)

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