A violência gera violência
Mais uma vez, volta a tensão no Oriente Médio, em decorrência do pior atentado suicida dos últimos seis anos, vitimando 20 pessoas e ferindo mais de 50. Vivemos hoje, a hora e a vez dos homens-bombas. E mulheres-bombas também. O mais triste de tudo isso é constatar que o extremismo é praticado por jovens. O terrorista que fez explodir o ônibus com estudantes, em Jerusalém, tinha 22 anos e nível universitário.
Parece inacreditável que tais fatos venham ocorrendo, de forma tão constante, em nossos dias. Ninguém sabe o que fazer para deter a onda de violência e crueldade que se agiganta em quase toda a parte do planeta. Na realidade, o horror noticiado quase que diariamente pela imprensa internacional é consequência de toda uma mentalidade em que prevalece uma visão cética da vida, de desamor e desrespeito pela pessoa humana.
O grupo extremista islâmico Hamas assumiu o atentado em Jerusalém, afirmando que agora, a guerra contra os ônibus está a caminho. Vê com orgulho, as ações suicidas. Diante disso, ficamos sem entender porque persiste na violência, quando se sabe que jamais ela pode impor a paz. O que pretende o Hamas com tal ameaça? Dessa forma, vemos apenas o acirramento dos ânimos, as exaltações e nervosismos que criam um clima de insegurança e medo tão grandes, que em nada contribui para consolidar perspectivas possíveis de paz e entendimento.
Não é pela via do terror que obteremos justiça. A História está cheia de exemplos a comprovar que violência só gera violência, e nunca o bem geral. É muito mais fácil fazer ações destrutivas e negativas, derruindo tudo o que se vê a frente, do que propor o diálogo, ouvir e aceitar o dificílimo caminho da construção das possibilidades reais. Vemos muitas pessoas trabalhando como voluntárias em instituições públicas e privadas, movidas pelo objetivo de servir a comunidade, de ajudar no que for preciso, em se capacitar para melhor servir, querendo realmente ajudar a construir um futuro melhor, com paciência, perseverança e altruísmo.
A ação dos terroristas manifesta um desespero, uma pressa de resolver já todas as coisas, um imediatismo que opta por soluções bastante escapistas. Gandhi, por exemplo, deu o grande exemplo, de como é possível, sim, transformar sociedades sem o uso da violência. A conduta política de Gandhi estava baseada na profunda crença de que o ser humano é bom, e pode realizar boas obras. Seu amor pela vida e pela pessoa humana o levou a agir com não-violência. A doutrina da não-violência de Gandhi explica Giuliano Pontara não é tanto a que prescreve a abstenção da violência, mas, mais exatamente, a que prescreve agir de tal modo que nossa ação leve à maior redução possível da violência ao longo do tempo e em todas as suas formas. E ainda observa que Gandhi tinha plena convicção de que o recurso à violência armada, de qualquer forma, além de corromper toda boa finalidade perseguida por ela, acabaria aumentando, em lugar de diminuir, a violência no mundo.
De fato, em nada contribui os homens-bombas para alcançar seus objetivos. Pelo contrário. A cada ato suicida, mais cresce a violência, a construção de muros e cercas elétricas também em nada contribui para a superação da violência de lado a lado. Como tem custado ao mundo compreender que só a não-violência pode assegurar a paz!!
VALMOR BOLAN é doutor em Sociologia e diretor-geral da Faculdade Editora Nacional, em São Caetano do Sul





