A violência e os jovens
Na ressaca do Ranking da Educação Mundial, que apontou o Brasil na 60a posição (entre 76 países avaliados) pelo desempenho de alunos de 15 anos em testes de ciências e matemática, foi divulgado ontem o Mapa da Violência. O estudo aponta que 116 pessoas morrem por dia vítimas de arma de fogo. Em 2012, data dos últimos dados disponíveis, foram 42.416 mortos. A principal causa das mortes foram homicídios, motivo apontado em 95% dos casos.
Conforme o levantamento, o Paraná registrou aumento de 43,8% na taxa de assassinatos por 100 mil habitantes em 11 anos. É o maior índice das regiões Sul e Sudeste e o 13º lugar no ranking nacional. Os Estados do Norte e Nordeste lideram o ranking. O destaque ficou com São Paulo e Rio de Janeiro, que registraram queda nos índices de violência. Outro dado relevante é o aumento da violência no interior. Enquanto o País registrou um aumento de 11,7% no número de mortos a tiros, nas capitais, houve queda de 1,6%.
Os números são preocupantes porque apontam que os jovens (com idade entre 15 e 29 anos) são as principais vítimas. Conforme o estudo, para cada jovem "não morto", quatro são assassinados. É chocante a constatação de que o Estado não tem conseguido proteger a juventude da violência. Significa a falência das políticas públicas destinadas a esse público. Se muitos deles estão fora da escola ou não concluíram seus estudos e a maioria dos que frequentam as aulas não conseguem aprender, conforme o Ranking da Educação é provável que sejam atingidos pelas drogas ou pela criminalidade.
São necessários investimentos pesados para reverter esses números. É urgente o planejamento de políticas públicas que protejam esse grupo da população. A garantia de uma educação de qualidade, assim como atividades de lazer, cultura e esportes devem fazer parte do cotidiano dessas pessoas. Eles precisam se sentir acolhidos e respeitados pela sociedade. Se forem oferecidas mais oportunidades, haverá o afastamento natural da violência.





