Os depoimentos dos diretores de escolas públicas de Londrina mostrados no caderno Cidade na edição de ontem da Folha, assim como as cenas que ilustram a reportagem e o texto de capa do jornal, merecem uma profunda reflexão. A começar pelo fato de serem chocantes tanto as fotografias quanto as informações reveladas pelos responsáveis pelos estabelecimentos.
As escolas estão se transformando numa espécie de cadeia, nas quais alunos, professores e funcionários ficam prisioneiros. Lacrar portas e colocar grades vêm se tornando procedimentos básicos nesses estabelecimentos. Tanto que a prefeitura está instalando alarmes em 87 escolas.
São fatos que reforçam a sensação do londrinense de que a cidade está mergulhada na insegurança. De tal maneira que, em breve, cenas como a das crianças estudando cercadas por grades podem acabar sendo consideradas comuns. O risco da banalização da violência é cada dia maior e coloca Londrina num estágio parecido com o ocorrido no Rio de Janeiro há cerca de três décadas.
Esses números, assim como as cenas nas escolas, não podem ser aceitos como normais. Eles são resultado de um quadro de degradação social, descaso do poder público (especialmente do Estado e da União) e falta de empenho da sociedade em cobrar seus direitos.
No caso dos estabelecimentos de ensino, vale lembrar que uma geração submetida, em seus primeiros anos de escola, a situações como estas pode perder referências fundamentais à formação da cidadania. Mais uma vez, ao que tudo indica, as drogas estão por trás dos furtos nas escolas, assim como são o pano de fundo para a maior parte dos assassinatos cometidos em Londrina este ano.
Roberto Francisco

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