Lucas tinha 12 anos quando o pai morreu. Então, sua mãe, uma merendeira, ficou sozinha para terminar de criar os cinco filhos. Também com essa idade ele decidiu que queria ser bandido. A drástica decisão foi tomada depois de uma surra que o menino levou de um ''folgado'', que, segundo ele, era maior e gostava de bater nas crianças do bairro pobre onde morava, em Foz do Iguaçu.
Para comprar uma arma de fogo e ser um criminoso de verdade, começou a trabalhar como servente de pedreiro, ainda com 12 anos. Demorou três anos para juntar o dinheiro e conseguir seu primeiro revólver. Quando esse dia chegou, não teve dúvidas, a primeira providência foi executar aquele ''folgado'' que lhe batera antes. Vingança feita, era hora de começar a viver do crime.
''Com pouco tempo assaltando, já tinha tudo que queria. Ganhava muito dinheiro, mas gastava muito também'', lembra. Cada vez mais armado, deixou até de usar drogas - cocaína e maconha -, para render mais no crime. Até que ''caiu preso'' pela primeira vez. Ao sair do período de internação, cometeu seu segundo assassinato, atendendo um pedido para executar um rapaz que estaria ameaçando a mãe de um outro garoto.
Algum tempo depois, foi pego armado em um bar e internado novamente. Desde então, lá se vão 10 meses. Lucas já completou 18 anos e demonstra ser muito consciente de tudo o que perdeu com o crime. ''Para se vingar de mim, o irmão desse segundo cara que matei também matou meu irmão. Metralharam minha casa, que ficou toda furada de bala. Isso não é vida pra ninguém. Dou graças a Deus de ter sido pego e estar internado, se não, acho que já até estaria morto. Não há futuro na vida do crime'', diz.(W.S.)

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