Ganhou muita repercussão a atitude da esposa de um dos executivos presos na Operação Lava Jato que segue detido na carceragem da Polícia Federal (PF) de Curitiba. A mulher do funcionário da construtora OAS, que visitava o marido na capital paranaense, se irritou com a presença dos jornalistas e partiu para ofensas e gestos obscenos. Chamou os profissionais de "urubus" e "fracassados". O novo perfil de visitantes dos presos da PF de Curitiba mostra que essa ação integrada da Polícia e da Justiça Federal pode mesmo provocar uma mudança no País.
É até compreensível a atitude hostil da mulher, jovem e bem vestida, contra os jornalistas que cobrem o maior escândalo de corrupção no Brasil e que envolve a Petrobras. Antes que a sétima fase da Lava Jato fosse deflagrada, no dia 14 de novembro, prendendo quatro presidentes de grandes empreiteiras e outros 15 executivos, as famílias dos envolvidos não imaginavam que sairiam das colunas sociais direto para as páginas policiais. Um mergulho na vida como ela é.
Certamente, ainda tem gente que está solta, mas perdeu a tranquilidade. No dia 14 de novembro, as maiores empreiteiras do País foram alvo de blitze da PF e muitas tiveram os seus presidentes e diretores presos. O objetivo da ação foi justamente buscar provas contra os corruptores. Não é à toa que essa sétima fase da Lava Jato ganhou, dos integrantes da Força Tarefa, o nome de Juízo Final.
Mais uma prova de que mudanças podem dificultar as ações dos corruptos é o anúncio de que a Justiça da Suíça vai devolver para o Brasil o dinheiro bloqueado em nome do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. São US$ 26 milhões (cerca de R$ 65 milhões) que estão congelados desde abril e que têm origem em propinas que Costa recebeu de empreiteiras e fornecedores da Petrobras. É a maior repatriação de ativos da história brasileira, conseguida depois que procuradores do Ministério Público Federal (MPF) se reuniram, esta semana, com representantes do Ministério Público da Suíça, na cidade de Lausanne.
O país europeu não quer mais ter seu nome envolvido na lavagem de dinheiro criminoso, por isso está ajudando a Justiça brasileira a localizar contas ou extratos suspeitos. Tanto que os procuradores brasileiros estão deixando a Suíça com novos documentos sobre quem teria alimentado as contas secretas. Podem estar aí provas de que outros envolvidos na Lava Jato tenham movimentado dinheiro em paraísos fiscais.

mockup