A politização do debate sobre a recente atração de grandes investimentos para o Paraná não tem permitido uma avaliação séria sobre virtudes, defeitos e, principalmente, quais medidas complementares tomar.
A macroestratégia para o nosso desenvolvimento econômico foi concebida ainda no escritório de planejamento do governador Jaime Lerner e tive a oportunidade de ser um dos autores. Avaliando a privilegiada posição geográfica do Estado, o Mercosul, a globalização e os demais componentes da própria estratégia, ficou claro que teríamos a chance de atrair grandes investimentos para alavancar nosso desenvolvimento.
Veio a posse e iniciou-se um forte ataque ao principais objetivos. Conseguimos atrair grandes projetos, mas a que custo? Certamente muito maiores do que desejaríamos. Mas por quê? Porque tivemos de nos embrenhar numa terrível guerra promovida pelos interesses paulistas contra o resto do País.
Esta questão já conheço desde a década de 70. Através de alíquotas de impostos de importação, privilégios para o setor industrial versus agricultura, alocação de investimentos em infra-estrutura, mecanismos do ICMS, linhas de crédito oficiais e uma infinidade de outros mecanismos, São Paulo suga o Brasil. Isto levou a que diversos governos estaduais, dentre os quais o do Paraná, fossem obrigados a dar incentivos acima de suas vontades, mas num gesto de ‘‘legítima defesa social’’ de suas comunidades. O erro não é dos estados mas da estrutura do País, que não estimula o desenvolvimento equilibrado de todas as regiões.
Mas o que significam realmente para nosso Estado os novos grandes projetos? Fiz a conta. No horizonte do ano 2.000, a previsão de compras diretas dos grandes projetos está estimada na ordem de 7 bilhões de reais. Para o Paraná, com um PIB da ordem de 40 bilhões de dólares, isto significa um impacto primário de mais de 15% sobre o PIB, fora os efeitos indiretos, que serão igualmente fantásticos. Mais importante, estes 7 bilhões todos os anos correspondem a fornecimentos de fundidos, usinados, plásticos, vidros, transportes, segurança, elétricos, limpeza, eletrônicos, borrachas, embalagens, uniformes, jardinagem, treinamento, propaganda etc... É inimaginável o poder desta cadeia permanente de reflexos e riquezas. Uma infinidade de nichos de mercado serão criados, abrindo oportunidades para mais e mais negócios.
Neste processo o segmento automotivo tem uma conotação especial: comprará aproximadamente 5 bilhões de reais/ano, é composto por vários empresas internacionais de grande porte e implanta-se com os mais atualizados conceitos de modernidade tecnológica.
Sob este aspecto tudo está maravilhoso, várias instituições se mobilizaram, gastamos munição, mas o retorno social compensará. Mas há um porém: os projetos de ‘‘John’’ estão resolvidos, e os do ‘‘João’’?
Não existe ‘‘balcão’’ desburocratizado para atender os pequenos investimentos que são de grande importância na renda e no emprego.
Para chegar a vez do ‘‘João’’ faltam dois pontos cruciais:
1 - dar equidade de tratamento fiscal entre as empresas novas e já existentes;
2 - criar urgentemente um ‘‘fundo de aval’’ de âmbito estadual, para dar garantia complementar às operações de financiamento às pequenas empresas.
Estas foram as lúcidas conclusões do recente seminário ‘‘Paraná automotivo’’, evento altamente técnico realizado pelo Sindimetal - Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico do Paraná, em parceria com o Sebrae-PR.
É só isto; é muito pouco. Se o governador Jaime Lerner topar este arremate, terá completado uma obra formidável pois fará chegar a vez do ‘‘João’’

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