A vergonhosa dívida externa brasileira
Marcelo Daletese
Dados que chamam atenção e nos fazem refletir: em 1969, a dívida externa brasileira era de US$ 4,4 bilhões; em 1973, durante o governo Médici subiu para US$ 52 bilhões; em 1989 (Sarney) passou para R$ 115,5 bilhões; em 1992 (Collor) US$ 136 bilhões; em 1994 (Itamar) US$ 148 bilhões e, 1998 (leia-se presidente FHC) US$ 235 bilhões. E agora, em 2000, é muito maior. Significa que devemos até as cuecas para os estrangeiros: vendemos o Brasil ou devemos um Brasil em dinheiro para fora.
Pasmem com esta outra informação: de 1989 a 1998, o Brasil, de uma ‘‘dívida’’ externa de US$ 115 bilhões, pagou de juros e amortizações US$ 225 bilhões e ainda deve US$ 235 bilhões ou mais. A dívida interna, que era de R$ 60 bilhões em 1995, atinge hoje R$ 373 bilhões (cerca de 40% do PIB) para rolar este ‘‘papagaio’’ gerado por uma política nefasta contra a sociedade nacional. O governo paga quase R$ 80 bilhões ao ano numa dívida interminável e impagável. Quem aponta tais dados são entidades como CNBB, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e Instituto dos Advogados Brasileiros, pela Internet.
Na maioria dos países pobres está sendo organizada uma coleta de assinaturas, propostas por igrejas cristãs, para o perdão das dívidas externas dos países de Terceiro Mundo, como o Brasil. O objetivo é a coleta de 22 milhões de assinaturas. Devemos ajudar nesta campanha e fazer o possível para tirar de cena, no próximo pleito, aqueles que estão fazendo a gente tirar as calças e dar de presente para o exterior.
Não devemos nada para eles. Muito pelo contrário: eles exploraram e exploram nossas riquezas naturais a custos que valem uma comédia; colocaram-nos numa condição social que fere direitos humanos e de cidadania, algo que deveria fazer com que aqueles que lucram com tanto ‘‘juro’’ não conseguissem dormir, o que não ocorre.
Vai-se dizer que não há desrespeito aos direitos humanos? Você acredita que não? Então lá vai: segundo o IBGE, 25 milhões de pessoas com mais de 16 anos vivem na mais absoluta miséria no nosso País, isso sem contar as crianças. É justo?
Somos riquíssimos em áreas agricultáveis. Por outro lado, o Brasil é um dos países que mais importam alimentos no mundo. Claro: o País não emprega gente no campo (aumenta o desemprego), não dá renda interna ao povo (aumenta a pobreza) para repassar o dinheiro para quem está lá fora, o que é ridículo. Só cego continua votando em quem está no grande poder. Com certeza, são os ‘‘bem preparados’’ para levar você, sua empresa, sua família, sua vida para um quadro futuro nada animador.
Aliás, já começaram a levar: no supermercado, no plano de saúde, na luz, na água, no telefone, nos combustíveis, sem
contar outros detalhes amargos que refletem um reajuste no orçamento familiar, em um ano, superior a 36% (leia-se reajuste como aumento de pobreza).
E não tardará a virem novas ‘‘surpresas’’: euforias econômicas são maquiagens contra incompetência administrativa dos comandantes da máquina pública em enxugar despesas. Vão jogar a culpa nos empresários, na própria sociedade, mas, no seu íntimo, você sabe de quem é a culpa: da classe política – espelho da sociedade dominante.
- MARCELO DALETESE é jornalista em Pato Branco

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