É mentira a afirmação do editorial da Folha de Londrina de sexta-feira (01/02) de que a greve é sustentada por ‘‘lideranças sindicais e classistas, que não têm vínculo com a área acadêmica das universidades e nenhum compromisso com a sociedade’’. Exercendo o direito de réplica e representando seus associados, a Diretoria da Associação dos Docentes da UEL (Aduel) vem a público esclarecer que tanto os comandos de greve da cada universidade, quanto o comando estadual, são compostos majoritariamente por professores; esses professores são em maioria doutores e mestres, que além das aulas de graduação também ensinam nas pós-graduações, desenvolvem pesquisas e projetos de extensão à comunidade, orientam teses e prestam serviços especializados, ou seja, fazem tudo que possa ser qualificado de ‘‘acadêmico’’ e têm um profundo compromisso com a sociedade. É, portanto flagrante que tal afirmação é uma mentira.
Ou será que os funcionários técnico-administrativos das universidades, representados no comando de greve pelos diretores de seus sindicatos, são as tais lideranças a que se refere o editorial? A carreira dos funcionários técnico-administrativos está indissoluvelmente vinculada ao próprio funcionamento das universidades, não apenas por sua participação na administração, mas também por serem essenciais nas atividades de ensino, nos laboratórios de pesquisa, nos hospitais universitários, e em todos os projetos de extensão. Devemos então considerá-los como cidadãos de segunda classe, párias sem vínculo acadêmico, indignos de representação, voz e voto, pelo fato de não serem docentes? É bom lembrar que esta é uma greve dos servidores, em defesa do seu direito constitucional à reposição salarial, e que nem mesmo o mais recalcitrante membro do governo nega as nossas perdas salariais.
É fato que o Diretório Central dos Estudantes de cada universidade tem um representante no Comando Estadual. Devemos por acaso supor que os estudantes, os quais tão comumente são chamados de ‘‘acadêmicos de tal curso’’, não têm vínculos com a ‘‘academia’’? Apesar dessa representação estudantil ser absolutamente minoritária, democraticamente garantimos sua participação. Ademais, seria possível a existência da academia universitária sem uma de suas partes, os estudantes?
Entretanto, é verdadeira a afirmação do editorial de que ‘‘a população não quer ver as suas universidades sob cativeiro de corporações estranhas ao seu quadro funcional’’, e muito menos o queremos nós, que defendemos a autonomia universitária. Mas as corporações estranhas que tentam capturar a UEL são os partidos políticos interessados apenas nas eleições, que até aqui nada fizeram para resolver o problema e buscam infiltrar seus membros na Universidade através de indicações para a ocupação de cargos comissionados e funções gratificadas, sem concurso. Essa prática, embora legal, não é legítima e vem sendo sistematicamente denunciada pelo nosso movimento desde o ano de 2000.
Onde ficamos então, senhor editor? Mostre-nos um único membro do Comando de Greve que não tenha vínculos funcionais com as universidades. Se o conseguir, em troca nós o presentearemos com galinhas azuis, que botam ovos cúbicos e jogam xadrez. A mentira não faz parte da academia.
EVARISTO COLMÁN, presidente da Aduel

mockup