O maior banco estatal brasileiro não existe mais. Surgiu por iniciativa privada no início do século, oriundo de capital estrangeiro sendo posteriormente absorvido pelo governo do Estado de São Paulo. Mas, na data de 20 de novembro de 2000 volta às origens, ou seja, à iniciativa privada regida por capital estrangeiro. Um banco de fomento paulista com 75% de sua estrutura plantada no Estado mais rico da Nação, detentor de 35% dos meios circulantes no Brasil e possuidor de um percentual acima de 50% da industrialização de nossos produtos.
O Banespa teve sua reestruturação plantada em 1994, quando foi injetada quantia acima de R$ 20 bilhões para sua revitalização. A federalização deu-se em 1997. Avaliado agora por um preço mínimo abaixo de R$ 2 bilhões e créditos tributários beirando a casa dos R$ 3 bilhões, o último banco estatal de porte brasileiro sucumbiu devido aos planos econômicos e às gestões não muito estruturadas para sua permanência no mercado.
Temos que destacar os lados positivo e negativo do comprador do banco. O positivo é que o Santander se firma como o 3º banco do ranking nacional, perdendo somente para Bradesco e Itaú, com ativos beirando a R$ 60 bilhões, pouco atrás do Itaú com R$ 70 bilhões a R$ 75 bilhões, e do Bradesco acima de R$ 90 bilhões. O Unibanco desce do 3º para 4º lugar, subindo o comprador do Banespa de 5º para 3º.
O valor do lance foi de R$ 7,05 bilhões, com ágio acima de R$ 5 bilhões, e direito de abater este ágio do Imposto de Renda. Assume ainda um crédito tributário de quase R$ 3 bilhões além das agências do Banespa ficarem cinco anos sem pagar compulsórios, segundo informações. Procedimento idêntico ao do Banestado recém-adquirido pelo Itaú.
O Santander comprou recentemente o Banco Noroeste, estritamente paulista, com poucas estruturações fora do eixo. Posteriormente, adquiriu o Banco Geral do Comércio, se posicionando muito bem no mercado.
As informações dão conta que o comprador poderá continuar operando as agências em nome do Banespa. E, se confirmada a liberação do compulsório por cinco anos, o comprador agirá com prudência observando o lado financeiro e, fatalmente, irá fechar muitas agências dos extintos Noroeste e Banco Geral onde estas agências sofrerem a concorrência do Banespa.
É muito óbvio que é mais rentável uma agência pagando compulsório zero do que agências pagando os atuais 45% de compulsório sobre os depósitos à vista. São quase 600 pontos de venda e uma tradição com 3 milhões de correntistas em um Estado com 35% dos meios circulantes. Ainda que em dificuldade, é o Estado de maior orçamento público do País.
Se entra a crédito R$ 5 bilhões para abater Imposto de Renda, R$ 3 bilhões de crédito tributário, isenções de compulsório, 3 milhões de clientes, atendimento a um Estado rico e coligadas do banco bem estruturadas, observemos o lado negativo, do que vem a débito: 20 mil funcionários procurando seus direitos para manter empregos com reivindicações em ações trabalhistas e composições; problemas na caixa de previdência; e o ônus de continuar com o extinto Banespa nas ações cíveis – isto porque o mercado ainda não sabe se o comprador vai ficar com todos os ativos de bom nível e ativos sem qualquer liquidez. Inclusive, não se sabe se vai responder pelo já realizado pelo ex-banco estatal.
Parabéns ao Santander que adquiriu quase 600 pontos de venda no Brasil, com condições de crescimento e causando preocupações ao Bradesco, Itaú e Unibanco, os maiores bancos nacionais em ordem respectiva. O mercado internacional mostrou que está investindo no Brasil, de olho na fatia de 18% e 20% da população ativa que se faz presente no mercado financeiro. E a expectativa é que essa porcentagem cresça para 50% nos próximos cinco anos.
Da mesma forma que a esperança da industrialização e o aumento para 150 milhões de toneladas de grãos é um sonho para brasileiros a curto prazo, os banqueiros nacionais e internacionais vislumbram um mercado promissor na área financeira, apostando todas as fichas em nosso País.
- PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista e assessor financeiro em Londrina
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www.afiplan.hpg.com.br

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