Com meus escritos não pretendo ensinar a verdade a ninguém mas apenas dizer da consciência de que ela está dentro de cada um e que é fácil descobri-la. Cada qual cria muitas verdades, segundo seus conceitos ou ensinamentos religiosos que recebeu, mas há uma imutável: que o ser que somos tem origem divina e a ela se reintegrará. Este caminho de volta cada qual irá encontrar, em maior ou menor tempo, porque não é outro o destino.
Tempo e espaço são medidas da tridimensionalidade em que nos encontramos. Fomos imersos no tempo. Para cada qual irá chegando o momento em que não haverá mais a contagem de tempo e nem dimensões de espaço. Daí se dizer fim dos tempos (ou fim do tempo), significando não o fim do mundo mas a ausência da necessidade de tempo e espaço, que são mecanismos indispensáveis para o exercício da vida terrena. Tempo, espaço e livre-arbítrio são condições deste campo de tarefas e provas em que estamos. De certa forma são ‘‘amarras’’ inerentes à terceira dimensão em que vivemos.
Não é experimento de uma vida apenas, mas de muitas e muitas anteriores, vividas não só aqui mas também em outras paragens. Nosso destino final é a reintegração à plenitude da luz, onde reinam o absoluto entendimento e a absoluta consciência. Mas poderemos sempre, a partir daí, retomar caminhos de volta ou ir para outros pontos, assumir de novo esta vestimenta carnal e nos doarmos para novas missões e experiências. Há muito serviço por fazer no universo, sempre em transformação e expansão.
Não podemos pensar que temos a idade medida a partir do nosso presente nascimento. Nossa estrutura física atual, sim, tem estes anos. Mas não somos esta matéria aparente e perecível. Assim fosse e não se explicaria como um jovem morre tão cedo, como crianças saem do nosso convívio apenas com alguns aninhos de vida. O fato de saber que somos tão ‘‘antigos’’ quanto os tempos eternos e que nossa passagem por aqui é apenas temporária, conforta-nos. Por temporária queremos dizer tempos lineares que podem representar alguns minutos ou milhões de anos, num constante vir e retornar, até que se complete o tempo que planejamos vivenciar aqui.
A morte é apenas o anoitecer de um corpo físico, para um novo amanhecer com outra roupagem, até que a jornada se complete. A identidade física vai mudando mas os laços de afinidade continuam, porque a alma é a mesma. E essa afinidade pode significar harmonia ou atrito, porque há os unidos por ódios e ressentimentos que nutrem entre si. Separações pela morte física, entre os afins, são sempre doloridas, porém não mais que um ‘‘até breve’’.
Compomos não só famílias terrenas mas também famílias espirituais, estas não necessariamente ligadas por laços de parentesco (e geralmente não) e sim por afinidades. O fenômeno da morte (e das sucessivas vidas e mortes) poderá não nos levar, ainda, à plenitude do entendimento acerca da verdade. São muitas as vindas e idas, e não vamos muito longe, senão aqui pelos mundos paralelos da crosta terrestre. Até que se cumpra o tempo e alcemos vôos mais altos. Cada qual com seus projetos.
Seres missionários vêm desses planos mais elevados, em doação para ajudar os que ainda precisam ficar mais tempo por aqui. Jesus é um desses abnegados missionários. Assim como tantos iguais a ele, ao longo dos milênios. Não salvadores, mas mestres, ‘‘irmãos mais velhos’’. Que vêm para tornar mais amena a nossa empreitada e nos relembrar o que somos, para que não perdermos a coragem e a fé. A Suprema Ordem sempre enviou seus mensageiros, de tempos em tempos. Às vezes clamamos: ‘‘Pai, por que me abandonaste?’’ Até Jesus sentiu suas fraquezas e as tentações do ego, imerso que estava na densidade da matéria. É, sem dúvida, um experimento duro este que vivemos. Mas não estamos abandonados, e sim muito assistidos. Lembremo-nos sempre de que fomos nós que escolhemos esta missão, que não é apenas de uma única vivência carnal, mas de muitas, que se perdem na noite dos milênios.
Poderá ser difícil, para muitos, compreender isto, mas assim é. Quem morrer verá... E mais: apenas uma parte do que somos está aqui, eis que nossa real dimensão não tem medida e penetra o cosmos. Seria como um lápis que manifesta a escrita apenas pela sua ponta, mas a totalidade do grafite encerra milhões de palavras, ainda não reveladas mas que já são e estão.
Nosso corpo integral compõe-se de muitos corpos, que habitam as trevas da desinformação (a nossa condição carnal) e ao mesmo tempo o pleno entendimento (o nosso eu superior). Se olharmos ‘‘para cima’’ ou ‘‘a partir de dentro’’ de nós mesmos, nos veremos e nos sentiremos por inteiro. Deus está dentro de tudo isso e compõe esse processo.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

mockup