A verdade é privilégio de quem apostou no trabalho
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de março de 2003
José Eduardo de Andrade Vieira 
Há dois anos a direção da Folha de Londrina trava incansáveis batalhas para vencer as dificuldades impostas por uma crise financeira que afetou praticamente todos os setores da economia nacional, com fortes reflexos nos meios de comunicação, por culpa das constantes elevações do dólar e de um modelo econômico desastroso. Essa luta inclui esforços para amenizar os efeitos da crise junto aos funcionários desta empresa, seus fornecedores e colaboradores.
Ainda assim, atrasos nos pagamentos de salários, serviços e matéria-prima ocorrem até os dias de hoje. Da mesma forma, medidas para reduzir os custos da produção do jornal foram implantadas ao longo desse período. Tudo o que foi feito, porém, obedeceu a critérios, nada se realizou sem antes pesar as consequências.
Atualmente, a Folha experimenta, graças à compreensão de seu quadro de pessoal e de seus parceiros e fornecedores, um período de recuperação. Muito ainda tem que ser caminhado até que a situação financeira desta empresa se estabilize, mas já é possível enxergar o futuro com ânimo. É o resultado mais nobre de um esforço conjunto, coordenado pela superintendência do jornal e assumido, principalmente, pelas 380 famílias que têm alguns de seus membros trabalhando conosco.
Entre dezembro e janeiro últimos, a necessidade de quitar duas folhas de pagamento ainda trouxe dissabores, mas as negociações entre os funcionários e a superintendência levou a bons resultados. Houve um pedido de prazo e a resposta foi a compreensão do nosso pessoal. Mais uma vez, esta grande família se manteve unida. Agora, em março, a situação beira a normalidade, o mesmo devendo ocorrer em abril. Maio será um mês promissor.
Nem todos, porém, tiveram com este jornal uma postura exemplar. Uma minoria inexpressiva, levada pela necessidade de apenas provocar situações que a maioria jamais desejou, aproveitou-se da crise da Folha para tentar piorar o que já era difícil. Assim, essas pessoas preferiram ações ofensivas. Negligenciaram ao se omitir de uma luta de todos. Desacreditaram, portanto, no esforço de tantos para a busca de soluções. Para esta família, infelizmente devolveram a impressão que sempre estiveram contra a possibilidade de um futuro melhor.
Londrina amanheceu no último final de semana com outdoors em alguns pontos da cidade ofensivos à Folha. A liberdade de expressão é uma realidade, por isso mesmo quem se manifesta sobre determinado assunto tem o dever e a responsabilidade de expressar somente a verdade. A Folha jamais negou que passou por um período excepcional de crise. Também não omitiu atrasos salariais a fornecedores e colaboradores. Se demitiu, foi por necessidade administrativa. A verdade, portanto, é privilégio de quem sempre esteve com este jornal, produzindo notícias, cumprindo sua função social. Alguns poucos ainda se dão ao direito de equívocos imperdoáveis.
JOSÉ EDUARDO DE ANDRADE VIEIRA é diretor-superintendente da Folha de Londrina


