A verdade e os fatos - J. Roberto Whitaker Penteado
J. Roberto Whitaker Penteado
O Brasil é uma nação economicamente organizada de acordo com a chamada economia de mercado, em que qualquer pessoa ou grupo de pessoas podem, livremente, abrir seus negócios para produzir produtos ou serviços e concorrer no mercado, pelas preferências dos compradores. Certo? Errado, contudo, se a sua fonte de informação for a imprensa brasileira.
Se você lê os jornais diários, as revistas semanais, ouve o rádio e vê os noticiários da TV, a idéia que fará do País é bem diferente: o Brasil é uma nação em que o governo toma todas as decisões econômicas através de ministérios e das CPIs da Câmara e do Senado e, às vezes, do presidente da República e onde um pequeno grupo de pessoas de nacionalidade brasileira ou (predominantemente) estrangeira chamados empresários procura apoderar-se de todo o dinheiro disponível, explorando os consumidores, pagando salários baixíssimos e sonegando os impostos.
Veja, por exemplo, o caso recente das empresas que produzem e vendem produtos farmacêuticos. Essas empresas são, em geral, internacionais e de porte muito grande, uma vez que a pesquisa e o desenvolvimento das drogas modernas requerem investimentos de milhões às vezes bilhões de dólares. Mesmo quando o trabalho é realizado nas universidades, a origem dos fundos utilizados é a indústria farmacêutica.
Quando as pesquisas resultam em remédios, duas coisas precisam acontecer: (1) A recuperação do investimento feito deverá fazer parte do custo dos medicamentos; (2) Para baixar os custos unitários, é necessário que sejam produzidos em economia de escala. O segundo item resulta em que se venda o produto horizontalmente, no maior número possível de mercados, possibilitando, também a que se chegue a um preço unitário ao alcance do poder aquisitivo da maioria das pessoas.
São noções elementares, que deviam fazer parte do conhecimento dos jornalistas das editorias de economia.
Também é evidente que, se deixarmos de considerar a recuperação do investimento feito para desenvolver o medicamento, o seu custo baseado apenas nas matérias-primas que compõem o seu hoje notório princípio ativo será bem mais baixo. E menor, ainda, será o preço, se descartarmos as despesas com distribuição (visitas aos médicos), marketing (propaganda e promoção, como, por exemplo, o patrocínio de congressos médicos, realização de concursos ou oferta de brindes), embalagem... E por que não? os altos salários pagos aos executivos dessas empresas ou os carros de luxo que utilizam.
Esse absurdo é oferecido como notícia e editorial pela maioria dos jornalistas brasileiros e ninguém reclama que sem esses ingredientes o sistema econômico resultante é simplesmente o de uma economia planificada pelo Estado. Também conhecido, nas primeiras oito décadas deste século, como comunismo.
Nessa visão desengonçada das coisas que, em outra eras, produziu a indecência dos(as) fiscais do Sarney, que se propunham linchar os donos de supermercados repousa uma terrível unanimidade de opinião da imprensa e dos jornalistas brasileiros, que vai desde os principais jornais, passando incólume pelas revistas semanais, os principais noticiários de TV e os mais conceituados articulistas. Como se eles próprios não trabalhassem em empresas privadas, que dependem do marketing e da boa gestão administrativo-financeira para produzir lucros, prosperar e pagar bons salários aos funcionários.
Isso é sério. E isso também é em grande parte responsabilidade dos próprios empresários brasileiros e estrangeiros que, no passado, muitas vezes, preferiram a cumplicidade espúria com os donos do poder do que enfrentar uma saudável concorrência. Por isso, no Brasil, o sistema da livre iniciativa já perdeu, há muito, a guerra da opinião pública.
As coisas, porém, não podem ficar assim. O setor empresarial tem a competência e as empresas de comunicação o talento para apresentar à sociedade uma outra visão dos fatos no meu entender, bem mais próximo da verdade.





