A Vale é nossa
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de maio de 1997
Ricardo Gomyde 
Parte da política de privatização ordenada pelo projeto conservador que o governo FHC tenta viabilizar, a venda da Vale do Rio Doce é um atentado à soberania da Nação brasileira.
A Vale se encontra entre as três maiores empresas em mineração do mundo. A empresa tem uma história de realizações e contribuições para o desenvolvimento do Brasil que a fizeram patrimônio inalienável do nosso povo.
Sua marca de eficiência e modernidade transformaram-na em agente dinâmico do desenvolvimento do Brasil, em sua grande alavanca nessa arrancada da segunda metade do século. Possuidora de concessões ou alvarás que representam menos de 20% da área total concedida no país, acumulou investimentos estimados em US$ 18 bilhões enquanto que empresas estrangeiras, com o dobro do número de alvarás/concessões, investiram, desde o descobrimento do Brasil, apenas U$ 2 bilhões na indústria extrativa de mineral, segundo os dados apresentados pelo Banco Central.
Hoje, como no passado, a Vale do Rio Doce escreve páginas gloriosas da história econômica, política e social do nosso país. Ela é muito mais do que uma empresa mineradora. Sua atuação é decisiva na melhoria das condições de vida de uma enorme parcela do povo brasileiro. Por exemplo: Carajás, abrangendo as regiões Norte/Nordeste/Centro Oeste, iniciados nos primeiros anos da década de 80, a Vale investiu, na fase inicial do projeto, U$ 6 bilhões na construção de ferrovias e outras obras que mudaram a face dessas regiões. Esse valor é parte de um total previsto de U$ 36 bilhões a serem investidos, montante impossível de ser mobilizado pelo setor privado.
Sou contrário à privatização da Vale por entender que a transferência para o setor privado de unidades estatais produtivas e estratégicas, é lesivo aos verdadeiros interesses do Brasil.
A venda da Vale é, pois, uma negociata de grande monta. Muito boa para aqueles que querem especular com a compra de ações.
Péssimo, para um país que pretende desenvolver-se e não ser mero consumidor de produtos feitos por outros países (e lá gerando empregos e tributos) e de tecnologias que não domina.
É extremamente preocupante que os nossos governantes, entreguem à concorrência um patrimônio que foi construído fruto de lutas e do trabalho de muitas gerações de brasileiros. É inadmissível a venda da Vale do Rio Doce.
É inadmissível que o governo arrecade com a venda desta empresa, menos que repassou a bancos privados falidos.
É, por fim, preciso reagir e impedir o disparate que essa venda representa e que está sendo revelado pelos números gritantes apresentados em todo o debate acerca da privatização da Vale.
Não à venda da Vale!
- RICARDO GOMYDE é deputado federal pelo PC do B/PR e vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Faz parte do Comando Nacional em Defesa da Cia. Vale do Rio Doce.


