Recentemente, dois cientistas americanos levantaram uma tese polêmica: existe no ser humano uma tendência natural à infidelidade. Segundo eles, a monogamia, uma raridade entre a maioria dos animais, é apenas uma imposição cultural e social para o homem civilizado.
Embora a maioria das mulheres procure resistir ao impulso da traição, os homens caminham no sentido oposto. Eles ainda traem mais do que elas. A novidade é que agora eles começam a se sentir culpados por levar adiante casos extraconjugais. Essa culpa é um fenômeno de uma geração mais recente, formada por homens com menos de 50 anos, casados com parceiras que trabalham e que dividem responsabilidades em pé de igualdade. A maioria dos que estão acima dessa faixa etária continua a ser infiel com pequena dose de remorso ou culpa.
De fato, homens e mulheres têm muitas diferenças. Divergem nas atitudes, na maneira de pensar e agir e, principalmente, no comportamento sexual. As mulheres adoram interagir, conversar, trocar. Estas são características femininas, que aparecem logo na infância. Os homens, ao contrário, são de poucas palavras e reclamam que as mulheres não se interessam muito por sexo. Dizem que não são desejados como deveriam ser e que elas raramente tomam a iniciativa. Num estudo realizado nos últimos 4 anos, com 105 homens, constatei que mais da metade deles - 65% - não se sente sexualmente desejados. Cerca de 60% se sentem valorizados como pais, cidadãos e profissionais, mas não como amantes.
Muitas mulheres sentem desejo, mas não procuram os seus parceiros. Isso é mais comum naquelas que passaram dos 45 anos. Com as mais jovens é possível observar um comportamento mais ousado.
Entre os homens mais jovens, o sexo casual acontece de maneira diferente: eles não têm uma parceira fixa e os romances duram, em média, de três a quatro meses. Poucos desses homens traem porque encontraram a paixão de sua vida. Em sua maioria, eles buscam uma mulher fora do casamento para se auto-afirmar e provar a si mesmos ou aos amigos que ainda estão viris. Não existe envolvimento emocional. É o sexo pelo sexo.
É claro que as mulheres também traem, e isso tem sido crescente em decorrência da maior liberdade conquistada. Se o parceiro apresenta um tipo de problema até comum, como a ejaculação precoce, a mulher não mais consegue conviver com esse verdadeiro ''desmancha-prazeres''. Mas, ao contrário dos homens, são bem mais seletivas. Enquanto eles traem por razões ligadas à sexualidade, elas se tornam infiéis por motivos como desamor, decepção e raiva do parceiro.
Na verdade, em um mundo extremamente erotizado como o de hoje, a fidelidade absoluta somente é possível com um imenso esforço. Muitas vezes é preciso reprimir os impulsos para não fazer o parceiro sofrer. Por outro lado, a fidelidade deixou de ser uma imposição da sociedade para se tornar uma escolha basicamente consciente de quem conseguiu encontrar uma sensação de plenitude ao lado da pessoa amada.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
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