Recentemente, dois cientistas americanos levantaram uma tese polêmica: a de que existe no ser humano uma tendência natural à infidelidade. Segundo eles, a monogamia, uma raridade entre a maioria dos animais, é apenas uma imposição cultural e social para o homem civilizado. De acordo com os pesquisadores, é antinatural um casal viver junto até que a morte os separe; na verdade, são outros motivos que costumam unir ou desunir os pares, como diferenças religiosas, necessidades econômicas, preservação da espécie e reconhecimento da prole.
Embora a maioria das mulheres procure resistir ao impulso da traição, os homens caminham no sentido oposto. Eles ainda traem mais do que elas. A novidade é que agora eles começam a se sentir culpados por levar adiante casos extraconjugais. Muitos homens sentem culpa e ficam abalados ao destruir o vínculo de lealdade com a companheira do seu dia-a-dia. Essa culpa é um fenômeno de uma geração mais recente, formada por homens com menos de 50 anos, casados com parceiras que trabalham e dividem responsabilidades em pé de igualdade. A maioria dos que estão acima dessa faixa etária continua a ser infiel sem qualquer tipo de remorso ou culpa.
De fato, homens e mulheres têm muitas diferenças. Divergem nas atitudes, na maneira de pensar e agir e, principalmente, no comportamento sexual. As mulheres adoram interagir, conversar, trocar. São características femininas, que aparecem logo na infância. Os homens, ao contrário, são de poucas palavras e reclamam que as mulheres não se interessam muito por sexo. Dizem que não são desejados como deveriam ser e que elas raramente tomam a iniciativa. Num estudo realizado nesses dois últimos anos, constatei em 45 homens que mais da metade deles (58%) não se sentem sexualmente desejados. Cerca de 65% deles se sentem valorizados como pais, cidadãos e profissionais, mas não como amantes.
Muitas mulheres sentem desejo, mas não procuram os seus parceiros. Às vezes, elas precisam de um estímulo para dar o primeiro passo. Essa atitude é bem mais fácil quando se tem 20, 25 anos. Já a mulher de 40 ou 50 anos dificilmente toma a iniciativa. Ela é receptiva aos estímulos eróticos e multiorgásmica, mas não tem coragem de expressar diretamente que está interessada em um homem ou que quer ter um encontro íntimo.
Entre os homens mais jovens, o sexo casual acontece de maneira diferente: não têm amantes fixas e os romances duram, em média, de 3 a 4 meses. Poucos desses homens traem porque encontraram a paixão de sua vida. A maioria busca uma mulher fora do casamento para se auto-afirmar e provar a si mesmo ou aos amigos que ainda está viril. Não existe envolvimento emocional. É sexo pelo sexo.
É claro que as mulheres também traem e isso tem sido crescente em decorrência da maior liberdade conquistada. À medida que o parceiro apresenta um tipo de problema até comum, como a ejaculação precoce, a mulher não mais consegue conviver com esse verdadeiro ''desmancha-prazer''. Mas, ao contrário dos homens, são bem mais seletivas. Enquanto eles traem por razões ligadas à sexualidade, elas se tornam infiéis por motivos como desamor, decepção e raiva do parceiro.
Na verdade, em um mundo extremamente erotizado como o de hoje, a fidelidade absoluta somente é possível com um imenso esforço. Muitas vezes é preciso reprimir os impulsos para não fazer o parceiro sofrer. Por outro lado, a fidelidade deixou de ser uma imposição da sociedade para se tornar uma escolha basicamente consciente de quem conseguiu encontrar uma sensação de plenitude ao lado da pessoa amada.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta e autor do livro ''Vida a dois''

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