A UPES, os terroristas e o PT
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quarta-feira, 03 de outubro de 2001
Luís Santos 
Nas duas últimas décadas, o movimento estudantil tem sobrevivido com enormes dificuldades, enfrentando sucessivas e periódicas crises administrativas e de lideranças, o que já faz parte da sua natureza. Limitados, não há como fazer o impossível, sendo compelidos a viver sem verbas e sem perspectivas. Não se irritem! Mas é verdade. A maioria absoluta dos estudantes são culpados!
Infelizmente, eles não estão preocupados com a efetiva qualidade de ensino, com a questão das mensalidades, e com as praticidades do cotidiano estudantil. No caso específico dos secundaristas, são os rebeldes (há exceções!) que desafiam tudo e querem reformular tudo à sua volta. Estão sempre reclamando de algumas coisas ou de tudo. São massa de manobra e ficam de prontidão o tempo necessário para uma greve, uma baderna ou um tumulto, por menor que seja.
Discriminação aos eminentes secundaristas? Não! Tive o privilégio de acompanhar de camarote a realização, nos dias 22 e 23 de setembro, do suposto 46º Congresso da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES), em Toledo. Suposto sim! Efetivamente não houve discussões práticas, regimento interno e cronogramas foram literalmente desrespeitados, as atas de eleição dos delegados ''desapareceram'' misteriosamente! Portanto, sem as atas, não há credenciais de delegados.
Isso sem relatar os quebra-quebras comuns nos congressos estudantis: colégios e ônibus depredados, álcool à vontade, drogas, desrespeito total às autoridades e poderes constituídos, cigarros, sexo, agressões físicas e ameaças entre estudantes e outros absurdos. É lamentável que os fornecedores de bebidas alcoólicas e incentivadores das desordens, eram líderes da força presente; os ''donos'' dos secundaristas eram adultos com mais de 25, 30 e até, 50 anos!
Poderão contra-argumentar até com subterfúgios mesquinhos para tentar restabelecer supostas verdades. Mas foi o ''presidente eleito'' que afirmou textualmente (está gravado) à imprensa de Toledo: ''Conseguimos negociar e fechar um acordo com uma chapa coesa com todas as forças do movimento estudantil do Paraná.''
Ora, não se pode ser ingênuo de querer necessariamente separar os secundaristas de seu partido político. Quem pensa ou faz isso presta um desserviço à coletividade. Outrossim, não há, por definição, uma juventude política melhor ou pior do que a outra. A diferença entre as distintas é dada pelas condições históricas assumidas em suas trajetórias.
Nos releases distribuídos pela ''nova diretoria'' da UPES, afirmam que após mais de uma década, o PCdoB perdeu a hegemonia do movimento estudantil secundarista no Paraná. Quanta desinformação! Os petistas supervalorizam os combalidos comunistas, pois o PCdoB no Paraná não possui prefeitos, vereadores, deputados estaduais ou federais. No Brasil, apenas uma prefeitura (Olinda/PE), 7 deputados federais e 9 estaduais. E o PT conseguiu derrotar, depois de 10 anos, essa ''superestrutura'' com o apoio e conchavos do PFL, PTB, PPS, PDT, PC e do próprio PCdoB, que ficou com a maioria dos cargos.
O PT continua teórico, pois na prática faz conchavos até com o Satanás! Resguardando as proporções, já imaginaram o presidente George Bush combatendo o terrorismo com o apoio de Saddan Husseim, Osama bin Laden, Hezbollah e Muamar Kadaffi? Se Bush fosse petista, com certeza que não pensariam duas vezes! Ah! Os secundaristas não são terroristas... faltam apenas as armas!
E agora, PT? Conseguirão resgatar, com autonomia, a gloriosa trajetória de lutas da UPES em defesa dos mais legítimos e impostergáveis direitos estudantis? Respeitarão os ''acordos'' com as ''forças coesas'' que lhe garantiram a presidência? Não serão adeptos de práticas aparelhistas, carreiristas ou que não busquem a promoção pessoal e/ou de chefes? Enfim, parabéns a esdrúxula democracia estudantil.
- LUÍS SANTOS é comerciário em Toledo, e ex-congressista da UPES/UBES


